sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

UMA VOZ DA TRADIÇÃO

Arlete

Foi com ela que trocámos as primeiras palavras de derriço com vista à criação do Grupo Coral e Etnográfico "As Camponesas" de Castro Verde, vai para mais de um quarto de século. A afinação da sua voz e o timbre do seu cantar, marcaram durante décadas a tradição vocal da nossa terra. As modas que ela começava, dificilmente voltarão a ser tão bem cantadas.

CANTARES DA SERRA

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Trazem a beleza da serra no olhar e sonoridades genuinas nas gargantas. Representam, certamente, o que os nossos cantes têm de mais natural, mais informal, mais expontaneo. Juntam, na mesma rodada, o improviso com a poesia e a tradição com o quotidiano, enquanto uma campaniça lhes persegue os cantares. Estiveram esta noite no Património

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O NOSSO PALCO É A PLANÍCIE



ÀS QUINTAS - FEIRAS, ENTRE AS 21 E AS 24 HORAS, VAI PARA O AR
O “ PATRIMÓNIO ” ,um programa que fala dos usos, dos costumes, da cultura do Campo Branco
ACOMPANHA on line em http://www.radiocastrense.net

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

BALDÃO

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Cante de improviso ou repentista, por regra acompanhado ao toque da viola campaniça e sucedâneo do cante de despique, com práticas mais arreigadas nas serras de Ourique e Odemira, onde são ainda muitos os seus intérpretes.

A FESTA DA TRADIÇÃO

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Todos os anos juntamos no mesmo palco, os poetas , os tocadores, os corais, os contadores de histórias, os grupos de música popular e todos aqueles de nos encantam em cada quinta feira.

AMBIENTE - UMA NECESSIDADE, UMA PREOCUPAÇÃO

Se foi o gregarismo que de algum modo potenciou uma imensa ofensiva ambiental por parte do homem, tem sido também através de uma atitude colectiva que o homem vem reagindo ao caos e começou a dar alguma resposta à quase insustentável situação que criou.

Ao longo dos séculos ,a dinâmica de desenvolvimento imprimida pelos vários modelos de economia já vivenciados , levou , em todos eles, invariavelmente ,à produção de resultados espúrios, mais ou menos nefastos para o meio, mas cujo somatório tornavam já alarmante o desequilíbrio verificado ao nível dos elementos essenciais para a vida e consequentemente para a humanidade.
Ainda agora se defende que o estado actual do nosso planeta é o preço da nossa civilização e como tal, o crescentemente triste panorama ambiental tem de ser aceite como um sacrifício que devemos suportar em nome dos altos valores do progresso.
Assim, a economia vem poluindo e os poderes seus sustentáculos vêm-nos impondo essa mesma poluição a pretexto do sacro santo desenvolvimento.
O homem tem sido esquecido e a vida tem sido arredada do campo das atenções daqueles que planeiam, projectam e aprovam as linhas com as quais se cosem os figurinos da economia.
Só muito recentemente os Estados ,talvez movidos pela má consciência que carregavam ,começaram a esboçar alguns gestos cuja timidez e a falta de determinação esbarram , sem consequências , na carapaça da indiferença tradicional da dita lógica dos sistemas. Mas foi a sociedade civil, mas ainda é a pertinácia de uns quantos ditos agitadores , ortodoxos, radicais e extremistas, apelidados para o bem e para o mal por ecologistas que à custa de tanto grito abafado fizeram ouvir a verdade mais elementar da essencialidade da vida.
Têm de continuar a ser futuramente as populações a tomar em suas mãos a defesa do seu direito a existirem em espaços adequados e equilibrados e onde a bio-diversidade deve ser uma regra sem excepção.
Se recuarmos pouco mais que uma década, a impunidade ainda era mais absoluta.
Lembramo-nos bem, por exemplo, da indignação que nos causava ver, durante semanas, avionetas pulverizando os nossos campos com toneladas de químicos e venenos. Os esgotos não eram sujeitos a qualquer tratamento .As lixeiras abundavam ao deus dará.
Não temos dúvidas que a modificação paulatinamente operada na mentalidade das gentes e por reflexo , na atitude dos poderes ,se deveu em muito ao surgimento de um amplo movimento sócio-cultural que no final da década de setenta varreu este país de lés a lés fazendo aparecer tantas associações de defesa do património quantos são os cogumelos depois das chuvas.
Foi o primeiro gesto de vulto da sociedade dita civil para afrontar as pretensões necrófagas do desenvolvimentismo. Todos se lembram certamente dos autocolantes amarelos do "Nuclear ,não muito obrigado!" que uns por convicção e outros por mera simpatia ou como símbolo de modernidade ostentavam ,contra a corrente, quando o percurso do nuclear parecia ser uma inevitabilidade.
Começou-se a olhar para a natureza com outros olhos. Passámos a ter do ambiente outra consciência. "Salvemos o lince e a serra da Malcata" foi outro slogan que soou e a partir dele, como se de ecos se tratassem, outras campanhas do género se fizeram como chamadas de atenção ou pela valorização do património comum.
Perduram ainda muitas das associações ambientalistas que então surgiram levantando a voz e apontando o dedo a situações claramente contrárias ao futuro do homem e ao seu desenvolvimento sustentado.
Entre nós ,surgiu a Castra Castrorum –Associação de Defesa do Património Natural e Cultural do Concelho de Castro Verde que afinando pelo diapasão da preservação das condições ambientais propalava a necessidade de olharmos com outro olhar para o espaço envolvente. O ruralismo e o apego aos nossos valores culturais mais profundos, continua ainda agora a ser o nosso horizonte de projecção, onde podemos encontrar motivações e a identidade de que carecemos para nos ajustarmos ao meio.
Depois , anos mais tarde, a Castra Castrorum deu origem a uma Cooperativa de informação e cultura a que chamámos Cortiçol como forma de reafirmar o nosso apego à vertente ambiental e, simultâneamente, avivarmos as memórias das gentes relativamente à coexistência que sempre aqui houve com aquela ave estepária enquanto se dava relevo à necessidade de respeitarmos todas as outras vidas com quem partilhamos este espaço.
Cada vez mais, cresce a consciência e se generaliza o saber de quão premente é darmos atenção, tanto à saúde do planeta como à nossa própria saúde porque esta também e em muito daquele depende..E continuarão a ser cada vez mais as escolas através de acções dinamizadoras da educação ambiental assim como as iniciativas conduzidas pelas nossas associações que hão-de obrigar a outra postura do cidadão face à natureza e à vida. Da capacidade que tivermos para nos organizarmos e animarmos as comunidades , dependerá no futuro, a qualidade da nossa vida e consequentemente a dimensão do espaço que teremos para sermos felizes


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

TRIGUEIRA DE RAÇA


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As Camponesas de Castro Verde


Da memória arrancam as poesias e as melodias emanam de sentimentos difusos. O preceito, foi o costume quem o definiu e a paixão pelo cantar, vem do fundo das raízes da cultura que colectivamente incorporam.

DESAFIANDO O CÉU


Chaminé em Aivados
São minaretes apontados ao ceú, subindo quanto podem sobre a pequenez do casario. Fumegam lareiras que consomem azinho sem idade e nos verões, simplesmente adornam. O que é muito, porque a sua presença marca a paisagem, dando um norte à identidade, como os cataventos que lhes enfeitam a coroa.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A BANDINHA DO TIO CHICO ALFREDO

A memória preenche-se de rostos, vultos, pessoas que conhecemos e que pela sua popularidade, acabam por ser elas próprias, o rosto que o nosso imaginário guarda da nossa terra.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CORRENTES DE AFECTOS

Da telefonia soltam-se correntes de afectos encadeados por palavras e sonoridades que nos ligam numa mística que se reconhece sem rebuço. Estamos presos, ligados por um dizer e escutar, pelo escrever e ouvir que umas vezes é confissão, outras gracejo e outras ainda um desfiar de memórias herdadas e que nos custa perder no silencio que os tempos modernos impuseram.
Em dias certos, à hora combinada, ficamos expectantes e abrimos o coração e a mente para o que der e vier, porque já é sabido que com sotaque da serra ou do campo, hão-de chegar à nossa companhia os amigos das palavras, das “histoiras”, das “adivinhações”, das “procuras”, das quadras, dos toques de acordeão, harmónica ou campaniça, os cantadores de baldão e os nossos grupos corais. Presenteamos o auditório com abraços de melodia e afagamos muita solidão dorida com o imaginário de uma companhia que por momentos a dissolve e dissipa.
Há quase duas décadas que no lugar do isolamento impusemos o bem estar do dar as mãos, agarrando um propósito que passa por valorizar o nosso património oral, por entender e interiorizar que nascemos num espaço vivo, com uma cultura própria que é fundamental para o fortalecimento da nossa identidade como Povo. Sem essa mesma cultura, sem esses traços caracterizadores da nossa fisionomia anímica, perdemos o contacto às raízes, passamos a ser iguais a tudo e ao nada, ficamos sem feições próprias, passaremos a ser obra e efeito de um pseudo progresso balofo que tanto tem estado em voga, em todas as vertentes, nos últimos tempos.
Palmo a palmo, temos conquistado terreno à rota do esquecimento que tende a apagar todas as memórias que nesta terra representem os valores de tradição.Todas as semanas ganhamos mais vontades para as nossas fileiras e por este Alentejo já se vai dizendo que importa defender os usos e os costumes, a nossa forma de ser e de estar, numa afronta clara à saga do esquecimento que se pretende impor apagando deliberadamente tudo quanto possa sugerir o elogio das raízes.
No espaço que abarcamos , dentro das fronteiras que a emissão define, fazemos a apologia da verdade cultural alicerçada na profundeza dos valores que emanam espontaneamente nascidos de séculos de vivências comuns, de anseios adiados e de prazeres curtidos numa comunhão de vontades que gera relações e laços que importa não perder.
Deste jeito, o orgulho de ser poeta, tocador ou cantador voltou a ser possível alimentado pelos mimos compensadores dos elogios que com naturalidade brotam de quem se sente agraciado quer pela arte, pelo convívio ou ainda pelo prazer que resulta de nos sentirmos grupo com identidade fortalecida no meio do dito deserto de referencias.
E isto encoraja a vontade de escrever e de revelar quanto se versejou , partilhando os nossos pensamentos, mágoas e razões com uma comunidade imaginada de iguais em vez de nada fazer ou então, rascunhar só para si e guardar no escuro das gavetas a beleza das rimas.
E com o cante, os cantes de tradição, despertou novo ímpeto de voltar a fazer cantigas que são invariavelmente a expressão de uma vontade imensa de comunicar, de estabelecer laços prazenteiros de convívio, amizades que perduram para além do momento ou da conveniência, comunhão de vontades que se casam porque são convergentes.
Neste estar sincronizado à volta da telefonia, vem ganhando razão a razão da nossa perseverança e impomo-nos às tendências na nova era que as televisões e os vários mandos engendraram, sempre conducentes a um maior isolamento social e a um crescente empobrecimento espiritual já que as directrizes em que se baseiam assentam no tudo feito, no pronto a ingerir sem mastigar nem tomar o gosto.
Pretendem impor-nos valores importados, não releva donde, desde que substituam cabalmente quanto aqui floria , resultado de sementeiras cultivadas de geração em geração.Por isso, em vez de se promover a obra, manda-se vir já feito.
Contra esta atitude inibidora do nosso crescimento como povo, lançamos palavras de ânimo ao nosso auditório e multiplicamos paulatinamente as participações em antena e as motivações dos que nos ouvem para empreenderem e fazerem obra e em especial para engendrarem um movimento de opinião que numa firme atitude rejeite as políticas de afastamento e de abandono dos nossos valores culturais.
Tudo isto acontece, há quase duas décadas, na Rádio Castrense, às quintas depois das 21 horas.

DOIS MOMENTOS


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Registamos aqui dois momentos da participação do Grupo Coral " Os Caldeireiros de S.João" no último Património

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

OS CALDEIREIROS



Constituído em Fevereiro de 2003, o Grupo Coral " Os Caldeireiros de S.João", fez-nos hoje companhia no Património
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A GRANDE RODA DE AMIGOS


ÀS QUINTAS - FEIRAS, ENTRE AS 21 E AS 24 HORAS, VAI PARA O AR
O “ PATRIMÓNIO ” ,
um programa que fala dos usos, dos costumes, da cultura do Campo Branco
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ARTE - SACRA E ESQUECIDA





Ninguém pode suspeitar que por detrás das portas sempre fechadas da Igreja da Misericórdia se encontra esta arte sacra escondida.
Divulgar o património é a melhor forma de o preservarmos, o caminho certo para reforçarmos os veios que nos ligam à terra, à vida e à memória colectiva.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

UMA PAIXÃO COLORIDA

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No apogeu da bonança, a planície veste-se de um colorido estonteante e sob uma luz única, tudo rodopia numa dança de pétalas, nectares e açucares que dão vida à vida.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A FEIRA DO PAU ROXO


Ao redor de Castro , em lugares definidos por razões ocultas, erguem-se capelas, igrejinhas que resistem há muitos séculos ao esmeril do tempo e ao esquecimento dos devotos que as ergueram e branqueavam de cal pelo menos uma vez em cada ano, por ocasião da festa do patrono respectivo.
A escolha do sítio onde foram implantadas resulta, na maioria dos casos, da preexistência no mesmo lugar de altares ou simples práticas de culto a divindades que os povos de antanho reconheciam como suas protectoras, antes da vinda e acampamento dos cristianos.
Assim foi em S. Pedro das Cabeças, assim terá também sido em S.Martinho e quem sabe, se o não foi, igualmente, em S. Sebastião, aqui à saída da vila, quando se toma a antiga estrada dos Geraldos, direito ao olival.
Certo é que em 1510,segundo as crónicas, esta ultima capela, feita de pedra e barro e com altar de taipa, coberta por telha vã e habitada por um só santo esculpido em pau, estavam já, ela e o morador, a ceder ao peso dos anos, mostrando sinais evidentes da antiguidade de ambos.
Em cada vinte de Janeiro, lá acorria toda a vizinhança deste lugar para rezas e pagamento de promessas anuais feitas ao santo mártir. Fitas, azeite e depois velas de muitos tamanhos e feitios, lá ficavam em acção de graças pelos benefícios vindos através das suplicas . Muitos fregueses, fazem freguesia e a freguesia encanta os comerciantes que à margem da fé, mas aproveitando-se dela, lá íam também para armar a esparrela .
Deste jeito ou doutro idêntico , nasceu naquele lugar um arraial, um mercado, uma feira.
Lugar de fé e de venda.
Arredia da vila, a meia ladeira de um cerro, em sítio descampado como também convinha para o maior negócio que ali se fazia.
Porcos aos milhares, gordos com a bolota de todos os montados das redondezas, para ali convergiam e aguardavam que os negociantes os comprassem às varas.
Ao redor do santo estendia-se um mar de lombos pretos, deitados, arreados pelo peso das arrobas de carne postas na engorda e pelo cansaço das léguas andadas no caminho. No ar , misturava-se um cheiro intenso com um grunhido ensurdecedor. Os porcariços andavam numa fona, despejando gorpelhas de palha e saquilhadas de cevada no chão. Depois corriam com os caldeirões para as bicas para encherem os maceirões de água que não aturavam .
È tempo de matança e também a gente das redondezas mais desafogada vinha ao santo comprar o que no chiqueiro não tinha. Depois lá iam a caminho de casa atrás de um porco ,seguro por uma corda laçada na pata.
Mas nesta ocasião, é tempo de plantio de arvoredo. Tudo o que numa horta convém ter, aqui ainda se encontra. Também para os quintais ,as laranjeiras e os limoeiros é sempre bom ter. Para dispôr nas leiras, braçados de cebolinho .Para a vinha ou para pôr num alegrete, vende-se o bacelo de qualidade.
Nesta ocasião, vendiam-se calendários, almanaques, bordas d´água e pagelas com décimas feitas a propósito da ultima desgraça ou de alguma marotice intemporal.
À abrigada da igrejinha, estendiam-se toldos onde várias carroças serviam de venda e despejavam garrafões e garrafões do novo. Depois à vinda, ao levantar da feira, desfilavam bebedeiras de ladeira a baixo, homens sem negócio que íam de gangão e algibeiras vazias.
Mas neste dia come-se pau roxo.
Vende-se aqui e no Santo Amaro em Almodovar, não vi noutra banda.
Cenouras grandes e tintas como a beterraba. Eram aos montes ,agora são contrabando, mas mesmo assim, a feira ainda é delas.
Compra-se uma ou duas, por graça. Os moços já não gostam e os mais velhos não têm dentes que as rilhem. Nesta maré era o petisco corrente nas tabernas. Em casa comiam-se cruas, às rodelas, com o mesmo jeito dos rábanos e havia quem as cozesse e temperasse com vinagre. Guardavam-se também para o tarde em frasquinhos como os picles.
O "santo", "feira de S.Sebastião" ou "feira do pau roxo" porque antecede o Entrudo, faz em Castro a abertura desta quadra.
A moçada aproveitava para fazer o abastecimento de estalinhos, bombas, bichaninhas, pedorreiras, serpentinas e papelinhos.
Compravam-se bisnagas de água e com as bicas mesmo ali à mão, mesmo que não chuvesse, voltavam da feira como pintos.
De casa muitas vezes já se traziam bexigas de porco , sopradas e atadas com linha de meia.Com um alfinete na ponta, penduravam-se à socapa nas costas dos passantes. Eram os "rabos".Também se faziam de papel recortado. E punham-se escritos da mesma maneira Tinha graça. Toda a gente ria.
Embora sem porcos, sem tanta promessa nem tanto pau roxo, o" santo" ainda é hoje um mercado de tradição onde lado a lado com a venda de cassetes se compram chocalhos e coleiras para o gado ,vendem-se farturas mas também se encontra o que faz falta para plantar na horta.


domingo, 17 de janeiro de 2010

MEU LÍRIO ROXO DO CAMPO

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O Grupo Violas Campaniças também actuaram no espectáculo de reabertura do Cine-Teatro Municipal

POESIA POPULAR

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Manuel Mira, dizendo uma obra sua, no espectáculo de reabertura do Cine Teatro Municipal de Castro Verde.

sábado, 16 de janeiro de 2010

AS CAMPONESAS

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"As Camponesas" de Castro Verde, na interpretação da moda "Toda a bela noite", durante o espectaculo de reabertura do Cine-Teatro Municipal

SOLIDÃO APRECIADA

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ORAÇÃO DAS ALMAS

A "oração das almas" é um cântico que se interpretava à porta das famílias enlutadas, na época festiva do Natal aos Reis e como alternativa aos cânticos tradicionais comuns alusivos à quadra.

Deixamos aqui, um breve trecho e um testemunho deste cantar plangente, interpretado pelo mestre José Rosa.

"OS GANHÕES"

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Participação do Grupo Coral "Os Ganhões" de Castro Verde no Espectáculo de Reabertura do Cine-Teatro , na noite de ontem, com a moda "Oh aguia que vais tão alta" .

A coreografia no ar coube à Intervenção Fiar - Centro de Artes de Rua.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

PASSADO, PRESENTE E FUTURO

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Na mesma noite, no mesmo programa, juntámos nos mesmos instantes, uma moda do passado ( venho da ilha dos vidros), com tocadores do presente ( o Pedro Mestre à campaniça e o Chico Lobo na caipira) acrescentados com as vozes de alguns dos interpretes do futuro ( uma turma do ensino do cante alentejano de Almodôvar ).

CHORUS REGINA CORDIUM

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Nesta quinta-feira, o "Património" teve a companhia e os cânticos do Chorus Regina Cordium, o côro da Paróquia de Castro Verde, constituído em 19 de Fevereiro de 2005.

Contam com quase cinco anos de arte coral e de participações sucessivas nas manifestações religiosas paroquiais, têm um CD gravado , multiplas participações em eventos e uma imensa força de vontade para continuarem o caminho que as fé lhes apontou.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

SOLIDÃO APRECIADA

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Com a vastidão dos horizontes fazemos moinhos de palavras que o vento da paixão faz girar em emoções contínuas. Da luz desta terra, fazemos espadas para combater o esquecimento, a ruína das memórias, o apagamento da nossa identidade.

Nas calçadas das ruas, escrevemos desejos que hão-de vingar tempo fora, enquanto perdurar o eco dos passantes .

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A MORTE DE PORCO - IV


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O ABRIR E O PALPITAR


"Abre um porco se queres ver o teu corpo" ,dizia-se, antes, quando as conversas tinham a dimensão da proximidade e os horizontes acabavam logo ali, depois da curva do conhecido.


No silêncio, só quebrado por palavras breves e acertivas, o mestre António Viriato traça o porco de alto a baixo, do fundo até às queixadas.Com uma firmeza cirurgica, o gume da faca vai lavrando as banhas que se abrem num rego profundo direito às entranhas. Foi ele quem matou, dirigiu a musgação, agora abre e depois, ha-de desmanchar.


Tudo tem preceito e todo o cuidado é pouco quando se misturam carnes e facas. Mais força aqui para cortar as costelas, ao de leves ali para não ofender o véu das banhas, à vontade numa certa banda, meticulosamente em determinado sítio, para o bico da faca não picar a bolsa do fel .


A certa altura, escancara-se a pança e cortadas as linhas mestras, a tripalhada desanda para dentro do alguidar que um serviçal segura.


Ao redor, envolvidos pelos vapores que dos interiores do animal se libertam, os homens começam a adiantar valores para o peso, para as arrobas de carne já com o bandulho limpo. Os olhares cruzam-se e os palpites soltam-se. Parece mal errar muito, por isso medem-se os números com os saberes de outras matanças. Alguns nem arriscam. Mas a balança romana, não tarda a dizer a conta certa e o ganhante, vai ficar ufano e será considerado um ás durante a comezaina que se segue.

MEU ALENTEJO

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O sentimento que do grupo emana, é inigualável em termos de interpretação de qualquer cancioneiro. O conjunto respira a um tempo e expande na melodia, uma mística comum de apego ao invisivel, ao imaterial, mas que se sente na requebra das vozes e no encantamento dos olhares que se projectam na distância, no infinito das planuras.

O Cante Alentejano ,é feito desta magia indecifrável, que une, como nada mais a nossa gente e nos projecta,como Povo seguidor de um rumo identitário que vem desde o passado, para nos ligar ao futuro.

Nesta noite de Património, foi nossa companhia o Grupo Coral da Freguesia de Albernôa.

AO VIVO


Oiça o "PATRIMÓNIO"
às Quintas entre as 21 e as 24h e aos Domingos depois das 8 h

Sintonize a "Rádio Castrense" em 93 FM
ou
Acompanhe o Programa "on line "em

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A MORTE DE PORCO- III

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O MUSGAR

O mestre António Viriato quase sem dizer palavra, dirige as operações, toma a iniciativa, deixa espaço aos outros só para os trabalhos menores. Mesmo no musgar, é ele quem faz e indica como se faz. Décadas de matanças, deram-lhe a fama e trouxeram-lhe o respeito generalizado durante a azáfama. Foi ele quem meteu a faca, é ele também quem percorre o corpo do bicho com o maçarico. Calor a mais tosta e desfeia. Calor a menos não chamusca e muito menos deixa arrancar as unhas.

Até os menos hábeis pegam na faquinha amolada a propósito, escamicham nas dobras,barbeiam dentro das orelhas, nos refêgos mais reconditos, tudo com preceito, sempre numa espécie de frenesim colectivo, numa pressa indisfarçada de verem o animal branquinho, num mimo, para de seguida lhe tomarem o gosto, numa assadura nas brasas do fogo que começou a arder cedo.

A MORTE DE PORCO - II

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A FACADA

(Porque pode impressionar, recomenda-se a não visualização por pessoas sensíveis)

Os olhares incidem na garganta do bicho, pressente-se o sangue a pulsar, antevê-se um jorro vermelho e quente. O mestre pega na faca, palpita, aponta e enterra-a sem sombra de piedade. Os ajudas firmam-se para segurar o animal e aplaudem, encantados, como se o final da vida tivesse tanto encanto como o seu principio. Apara-se o líquido que tinge mãos, roupas e faz desprender graças, enquanto,na agonia, o animal sangra rendido ao apetite dos homens.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A MORTE DE PORCO - I

PREPARAÇÃO


Estávamos em 1992. Há dezoito anos. Parece uma eternidade. À esquina do Tio Virgilio, durante anos a fio, nas proximidades do Natal, um grupo de amigos da tradição gastronómica e copofónica, mataram, esfolaram e comeram um porco em plena rua, numa festa de paganismo evidente.


Mais do que as palavras agora escritas em rodapé, falam as imagens, os gestos, os olhares, os esgares, as conversas tidas a propósito da magia quase tribal de matar e consumir a presa.


Os protagonistas, já partiram quase todos. Foi o mestre Viriato, velho matador afamado pelas suas punhaladas certeiras e foram,também, praticamente todos os demais, conhecidos, amigos, gente que preenchia esta vila de uma vivência irrepetível .


E as terras não são só ruas, largos e praças. São, essencialmente, o pulsar dos seus habitantes, mais ou menos vibrante, mais ou menos rico em costumes e saberes.


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AS MATANÇAS


Vêm dos montes, dos bastios sombreados, arrojam-se para a morte sob as arrobas de carne posta por fartanços de bolota e lande ,mais de alguma guloseima apanhada para desenfastiar. No verão correram os restolhos à cata de espigas e espiolharam os pegos lodosos com a cegueira dos almeijões .Mas não foi daí que lhes veio o peso.
Até meados de Outubro andavam ligeiros, corriam como centelhas deste poiso para aquele, fossando e revolvendo pedras e torrões à pus da bicharada. Mas logo que as bolotas começaram a arraiar e as mangaras desataram a pingar, era vê-los de fujota de arvore para arvore, com as orelhas afitadas para pressentirem onde podiam morder as caídas.
Daí para diante, abancavam de manhã à noite de focinho pregado ao chão , solvendo as soleiras das boletas ,desprendidas dos cascabulhos por força do vento ou varejadas pelo porcariço , preocupado com a engorda da vara com que tinha encabeçado o montado.
Apetecia-lhes agora beber mais amiúde que o costume e de quando em vez abocanhavam o ervaçum para refrescarem as bocas escaldadas pelo tasquinhar continuado.
De dia para dia viam-se aumentar. Desapareceu o espinhaço, cresceu-lhes a papada, ficaram corpulentos.
Já nem dão trabalho com as escapadelas para as semeadas. Comem, comem e de quando em vez jogam os joelhos a terra para descansar.
Por fim, redondos e lustrosos já lhes custava ir beber à ribeira duas vezes por dia. Nas horas mais quentes deitavam-se e dormiam com grande afegada. Para se levantarem , tornou-se o cabo dos trabalhos. Tinha de ser a prestações. Primeiro erguiam-se nas patas dianteiras ,de cu a rojo, e só depois em solavanco se alçavam.
O maioral andava satisfeito e o patrão outro tanto ou ainda mais. Tantas arrobas a tanto, dava tanto. Aquilo não se sabia ao certo, nem se podia saber, só a olho, o peso da carne toda, porque uns eram maiores e outros mais pequenos, mesmo que manos da mesma piara. O que valia era a média , não se podia fazer a conta pelos mais estrigados nem pelos outros que pareciam barcas, mas eram os menos .
Em três meses fizeram-se para a faca.
Uns para aqui, outros para ali, todos foram apreçados e já tinham o rumo traçado.
E assim abalaram em dias marcados pelas estradas velhas, deixando os montados, a caminho das bancas ,onde as facas sem dó nem piedade lhes ditam o destino, ficando no ar os gornidos profundos que nos marcam a memória das matanças.
Depois é a festa, a azáfama, o sangue, o vinagre, os alhos, o colorau ,a pimenta, os cominhos. A gordura e os cheiros. A moleja, as cacholas fritas. As banhas, os torresmos ,os lombos, as espáduas, os presuntos, as linguiças ,as chouriças e os paios. A carne frita, a manteiga de pingo .As queixadas assadas, a língua de fricassé ,as orelhas de coentrada .As folhas de toucinho arrecadadas no sal. O saber e os preceitos. Os varais no fumeiro. Os sabores um ano inteiro.
Ritual que se repete todos os Invernos, quando os frios chegam para curar as carnes e nos campos a fartura acaba, para poder acrescer, nem tão pouco para manter, as arrobas postas por uma comezaina rica.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

CHAMINÉS

Duas chaminés com a basílica em fundo. Em primeiro plano uma
chaminé de tipo invulgar entre nós e que foi "sacrificada" há cerca de duas décadas .

CANTE DOS REIS

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No Património de ontem à noite tivemos a companhia das Camponesas que interpretaram, como elas tão bem sabem, os cânticos ao menino, as janeiras e os reis.

Precisamente no mesmo dia e mês, mas há vinte anos atrás, também tínhamos contado com a sua presença no programa, do que divulgámos testemunho gravado, na terceira hora, constituindo este facto, uma oportunidade para relembrarmos nomes, episódios e alguns pormenores , já esquecidos,da história do Grupo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

MODA

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"Modas à Campaniça" é um projecto musical cujas raízes penetram na vontade de divulgar, vivenciar e popularizar, o nosso espólio etno-musical de cariz tradicional. Com graça, vivacidade e muita mestria, dignificam com as suas interpretações uma velha/nova cultura emergente.

BRASÃO ANTIGO


Painel em azulejo existente no Jardim do Padrão

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BRASÃO


Anterior brasão da vila de Castro
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PATRIMÓNIO EM DIRECTO

Hoje entre as 21 e as 24 horas assista ao Património em directo.
No rádio em 93 FM ou na internet em: http://radiocastrense.net
Pode repetir domingo depois das 8 horas

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A MARIANA CAMPANIÇA

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Com a nova visibilidade que a viola campaniça ganhou há duas décadas, em resultado da promoção que o Património dela fez e dos cuidados que a Cortiçol com ela teve, surgiram novos tocadores e construtores do instrumento e outros, retomaram as suas antigas artes.

Dentre eles, destaca-se o mestre Amilcar da Corte Malhão que faz e desfaz violas, constrói e inventa, imagina e busca novas sonoridades. Com a cantadeira Alice da Eirinha e outros aficionados, mantém activo o seu grupo de cantares.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

CANTE DE BALDÃO

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A Mariana da Estação e o Pepe da Favela, são dois vultos do nosso cante repentista chamado de Baldão. Neste apontamento, destaca-se toda a genuinidade do improviso e a graça que estes dois intérpretes imprimem às suas cantigas.

SOBRE O CANTE

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Sobre o cante nada pode ser dito que iguale a emoção que o mesmo provoca, na complexidade perfeita das sonoridades que embalam as letras, arrastando-as em caminhos sem pressa. Numa mescla de imagens e sentimento, deixamos para si a nossa reflexão sobre a mais profunda tradição vocal da nossa terra.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O PRAZER DE INTERVIR


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A "grande máquina do poder" cerceia-nos o espaço de intervenção em todas as frentes. Somos política, social e culturalmente arredados da cena pública, ganhamos cada vez mais o estatuto de espectador ao invés do papel de autores que nos devia estar reservada.


Por isso, encanta-nos ver quem fura o sistema e age e intervém e participa, malgrado tudo o que é feito para que cada um de nós seja mero assistente no grande espectáculo da vida.

NO TÚNEL DO TEMPO



A construção do caminho da vida faz-se com a projecções de saberes, do conhecimento de vivências idas, da compreensão tão absoluta quanto possível da realidade envolvente, para que com esse potencial de elementos, possamos lançar novos rumos, desenhar novos horizontes, mas sempre, em perfeita harmonia com a nossa identidade cultural.


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às Quintas entre as 21 e as 24 h e aos
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