terça-feira, 26 de janeiro de 2010

AMBIENTE - UMA NECESSIDADE, UMA PREOCUPAÇÃO

Se foi o gregarismo que de algum modo potenciou uma imensa ofensiva ambiental por parte do homem, tem sido também através de uma atitude colectiva que o homem vem reagindo ao caos e começou a dar alguma resposta à quase insustentável situação que criou.

Ao longo dos séculos ,a dinâmica de desenvolvimento imprimida pelos vários modelos de economia já vivenciados , levou , em todos eles, invariavelmente ,à produção de resultados espúrios, mais ou menos nefastos para o meio, mas cujo somatório tornavam já alarmante o desequilíbrio verificado ao nível dos elementos essenciais para a vida e consequentemente para a humanidade.
Ainda agora se defende que o estado actual do nosso planeta é o preço da nossa civilização e como tal, o crescentemente triste panorama ambiental tem de ser aceite como um sacrifício que devemos suportar em nome dos altos valores do progresso.
Assim, a economia vem poluindo e os poderes seus sustentáculos vêm-nos impondo essa mesma poluição a pretexto do sacro santo desenvolvimento.
O homem tem sido esquecido e a vida tem sido arredada do campo das atenções daqueles que planeiam, projectam e aprovam as linhas com as quais se cosem os figurinos da economia.
Só muito recentemente os Estados ,talvez movidos pela má consciência que carregavam ,começaram a esboçar alguns gestos cuja timidez e a falta de determinação esbarram , sem consequências , na carapaça da indiferença tradicional da dita lógica dos sistemas. Mas foi a sociedade civil, mas ainda é a pertinácia de uns quantos ditos agitadores , ortodoxos, radicais e extremistas, apelidados para o bem e para o mal por ecologistas que à custa de tanto grito abafado fizeram ouvir a verdade mais elementar da essencialidade da vida.
Têm de continuar a ser futuramente as populações a tomar em suas mãos a defesa do seu direito a existirem em espaços adequados e equilibrados e onde a bio-diversidade deve ser uma regra sem excepção.
Se recuarmos pouco mais que uma década, a impunidade ainda era mais absoluta.
Lembramo-nos bem, por exemplo, da indignação que nos causava ver, durante semanas, avionetas pulverizando os nossos campos com toneladas de químicos e venenos. Os esgotos não eram sujeitos a qualquer tratamento .As lixeiras abundavam ao deus dará.
Não temos dúvidas que a modificação paulatinamente operada na mentalidade das gentes e por reflexo , na atitude dos poderes ,se deveu em muito ao surgimento de um amplo movimento sócio-cultural que no final da década de setenta varreu este país de lés a lés fazendo aparecer tantas associações de defesa do património quantos são os cogumelos depois das chuvas.
Foi o primeiro gesto de vulto da sociedade dita civil para afrontar as pretensões necrófagas do desenvolvimentismo. Todos se lembram certamente dos autocolantes amarelos do "Nuclear ,não muito obrigado!" que uns por convicção e outros por mera simpatia ou como símbolo de modernidade ostentavam ,contra a corrente, quando o percurso do nuclear parecia ser uma inevitabilidade.
Começou-se a olhar para a natureza com outros olhos. Passámos a ter do ambiente outra consciência. "Salvemos o lince e a serra da Malcata" foi outro slogan que soou e a partir dele, como se de ecos se tratassem, outras campanhas do género se fizeram como chamadas de atenção ou pela valorização do património comum.
Perduram ainda muitas das associações ambientalistas que então surgiram levantando a voz e apontando o dedo a situações claramente contrárias ao futuro do homem e ao seu desenvolvimento sustentado.
Entre nós ,surgiu a Castra Castrorum –Associação de Defesa do Património Natural e Cultural do Concelho de Castro Verde que afinando pelo diapasão da preservação das condições ambientais propalava a necessidade de olharmos com outro olhar para o espaço envolvente. O ruralismo e o apego aos nossos valores culturais mais profundos, continua ainda agora a ser o nosso horizonte de projecção, onde podemos encontrar motivações e a identidade de que carecemos para nos ajustarmos ao meio.
Depois , anos mais tarde, a Castra Castrorum deu origem a uma Cooperativa de informação e cultura a que chamámos Cortiçol como forma de reafirmar o nosso apego à vertente ambiental e, simultâneamente, avivarmos as memórias das gentes relativamente à coexistência que sempre aqui houve com aquela ave estepária enquanto se dava relevo à necessidade de respeitarmos todas as outras vidas com quem partilhamos este espaço.
Cada vez mais, cresce a consciência e se generaliza o saber de quão premente é darmos atenção, tanto à saúde do planeta como à nossa própria saúde porque esta também e em muito daquele depende..E continuarão a ser cada vez mais as escolas através de acções dinamizadoras da educação ambiental assim como as iniciativas conduzidas pelas nossas associações que hão-de obrigar a outra postura do cidadão face à natureza e à vida. Da capacidade que tivermos para nos organizarmos e animarmos as comunidades , dependerá no futuro, a qualidade da nossa vida e consequentemente a dimensão do espaço que teremos para sermos felizes