terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A MORTE DE PORCO- III

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O MUSGAR

O mestre António Viriato quase sem dizer palavra, dirige as operações, toma a iniciativa, deixa espaço aos outros só para os trabalhos menores. Mesmo no musgar, é ele quem faz e indica como se faz. Décadas de matanças, deram-lhe a fama e trouxeram-lhe o respeito generalizado durante a azáfama. Foi ele quem meteu a faca, é ele também quem percorre o corpo do bicho com o maçarico. Calor a mais tosta e desfeia. Calor a menos não chamusca e muito menos deixa arrancar as unhas.

Até os menos hábeis pegam na faquinha amolada a propósito, escamicham nas dobras,barbeiam dentro das orelhas, nos refêgos mais reconditos, tudo com preceito, sempre numa espécie de frenesim colectivo, numa pressa indisfarçada de verem o animal branquinho, num mimo, para de seguida lhe tomarem o gosto, numa assadura nas brasas do fogo que começou a arder cedo.