quarta-feira, 3 de março de 2010

GATEIRA DE PORTA


Por estas bandas, já se contam pelos dedos de uma só mão, as portas que têm gateira. Uns palmos acima do poial ou rente ao chão, em todos os celeiros e nalgumas casas de morada, as portas tinham um buraco para a gataria entrar e sair. Mau para os ratos, excelente para os seus comedores que para além de andarem mais lustrosos, encontravam ali um salvo conduto para todas as emergências, quer fossem motivadas por corrida de cão ou por maldade de moço.
E estavam já tão aperfeiçoados na técnica de salvamento que entravam de cabeça, lançados em voo , esgueirando-se como umas setas para dentro do buraco que em situações normais mal os deixava colar.
Como em tudo na vida, também as gateiras tinham o seu lado negativo para os bichanos. Não era só ficarem do lado de dentro rindo-se dos cães que os perseguiam ou enfrascarem-se de ratinhos gordos a cereal. As vezes, por castigo ou por maldade, havia quem as usasse para dar um entalão aos pobres gatos quando, incautos , por ali entrassem em hora de azar.
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