quarta-feira, 10 de março de 2010

COM GRAÇA E SABEDORIA

Nos seus trabalhos, as palavras fluem encadeadas por uma rima bucólica, às vezes adocicada , outras vezes marota, carregando imagens que se sucedem numa harmonia ritmada por uma vivência de contornos marcadamente rurais.
Do olhar vivo do Graça irradiam espectros coloridos que vão da crítica social à admiração contemplativa de uma paisagem , rimas salpicadas de insinuações ou floridas com descrições precisas de aromas e cor. Transportamo-nos facilmente para os cenários desenhados pelas suas memórias frescas de um tempo passado, pintados pela inspiração que deriva de saberes antigos a que acrescenta, para dar vigor ,o bálsamo da seiva escorrente dos arvoredos que transporta no horizonte.
Tardou a encontrar o seu estro, mas logo que o fez, depressa explodiu em décimas e mais décimas que tece com a mesma desenvoltura e a mesma espontaneidade com que canta o baldão.
Lembramo-nos do Manuel Graça ainda moço, circundando os cantes, bebendo as cantigas, amando a tradição , prestando uma atenção devota a todas as manifestações culturais que na vizinhança aconteciam.
Primeiro só rondava ,ficava de fora, circundando os mestres , de pé , arrumado aos cantadores de baldão que em volta de uma mesa esgrimiam as suas razões e opiniões.
Um dia, ganhou coragem e atreveu-se a entrar na roda.Com a sua ousadia, ganhou-se um grande cantador que desde logo foi vibrante , atrevido nos dizeres e certeiro na crítica.
Das cantigas para as décimas foi um salto.
Hoje desenvolve qualquer tema com lucidez e manifesta grande facilidade no aparelhar da rima.
O livro que já publicou, contém alguns dos seus melhores trabalhos e vai certamente ser o primeiro de uma longa série que desejamos ver dar à estampa, para bem da Cultura desta terra e do aprofundamento do sentir poético da sua gente.