segunda-feira, 12 de abril de 2010

FLORES DE MAIO

As comunidades locais são corpos vivos, complexos de movimentos e de interacções, ar que se respira, trabalhos que se desenvolvem, afectos que nos prendem o coração ao lugar onde vivemos.
Por isso, sentimos e dizemos que a identidade cultural de um povo é a grande artéria pela qual circulam a maior parte dos valores e das circunstancias que podem alimentar a sua felicidade.
Os usos, as tradições, os costumes e as afinidades sócio-culturais são o cimento que liga as pessoas, que as torna amigas e cúmplices com o desenvolvimento da terra onde vivem. Por isso, quanto mais activa e vibrante estiver a capacidade das pessoas intervirem na construção do seu futuro colectivo, maior é a potencialidade para que o sitio onde vivem se desenvolva de uma forma sustentável. E a sustentabilidade do desenvolvimento, não é mais do que a compreensão, por parte de quem tem obrigações de gestão, de que só se pode crescer, do ponto de vista económico, em harmonia com o meio ambiente e numa lógica de bem estar social.
Nesse sentido, consideramos que a organização dos agentes locais em consonância com as populações, para agirem localmente, é a chave para o sucesso do real desenvolvimento em qualquer lugar.
Conduzir as populações para um estar amorfo, desinteressado e não participativo, é ditar o fim das relações de boa vizinhança, do espírito de entreajuda e de solidariedade e a médio prazo, o desaparecimento da própria identidade cultural local, cujas consequências imediatas são o apagamento da vontade de se viver naquele sítio e, subsequentemente, o desejo de partir em busca de nova morada.
Ciente desta verdade, Amoreiras-Gare, tem contrariado a desertificação, investindo na dinamização da sua maior riqueza que é a vibração cultural do seu povo.
Autarcas e “sociedade civil”, têm sabido utilizar, da melhor forma, os modos de expressão mais autênticos da cultura popular, para com eles fazerem laços que prendem e irmanam as populações. Disto são exemplo, “AS FESTAS DE MAIO” , expoente máximo da convergência de vontades e que provocam uma profunda coesão social. E nas festas , não é o que se apresenta ao publico o que mais importa, o determinante, tendo em vista o resultado que se pretende, é a forma como se projectam, como se organizam e como se realizam. Melhor dizendo, das festas , o menos importante é o cartaz , os artistas que se mandam vir e se pagam. O que fica, o que realmente acrescenta a coesão social e contribui para se gostar de viver em Amoreiras-Gare, é a participação colectiva no sonhar a festa, no montar das festas e no viver a FESTA que todos os anos, por ocasião do Maio, se renova na Estação.