sexta-feira, 21 de maio de 2010

A RODA DO TEMPO



Anos e anos a fio, por este túnel passou a riqueza que das entranhas de S. Domingos, era arrancada com destino longínquo.
Por aqui, passou uma quantidade incalculável de minério que depois de embarcado no Pomarão, seguia a rota de interesses alheios às gentes de cá. Gentes que partiram também, quando a mina fechou, quando os metais das estruturas também foram levados para fundições distantes, quando a vida aqui passou a ser magra como a natureza da própria terra.
O túnel ficou, porque levá-lo não podiam e destruí-lo não era compensador.
Assim acontece com todas as explorações mineiras que desde a primeira lavra, iniciam o percurso do seu encerramento, dada a finitude da materia prima, dadas as muitas contingências da sua viabilidade lucrativa, pese embora o facto de se resistir a ter consciência dessa circunstância e se preferir o pensar cómodo de que a roda do tempo não anda.
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