quarta-feira, 30 de junho de 2010

terça-feira, 29 de junho de 2010

QUEM HÁ-DE, MEU BEM QUEM HÁ-DE


A excelência do cante numa moda interpretada pelo Grupo Moda Campaniça, constituído e dirigido pela Cortiçol, na sequência do desmembramento e do fim de actividade dos "Ganhões"em 1989.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

VOU DEIXAR DE SER MAIORAL


Poesia em décimas dita pelo autor Francisco Domingos Horta, dos Porteirinhos

FORA DO REBANHO

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A VIOLA CAMPANIÇA


Quando certa noite regressávamos de uma actuação com os “Ganhões” , algures no concelho de Odemira ,mas em data e sitio que já não conseguimos lembrar, parámos num lugar ermo ,à beira da estrada, onde durante o dia tinha havido festa.
Festa ou romaria, porque ainda por ali se viam restos de enfeites ,balcões improvisados e uma dúzia de homens ,de pé, rodeando outra meia dúzia que sentados à volta de uma mesa ,cantavam, à vez ,cantigas de improviso num estilo e com uma melodia que nos assombrou.
Nunca tínhamos ouvido tal, nem sabíamos que se cantava daquele jeito aqui mesmo, tão perto de nós, onde tanto se valorizava o cante.
Parecia-nos, até então, que o cante às vozes era o único e que tudo o mais que surgisse, só deste podia derivar como seu sucedâneo ou sua adulteração.
Depois daquele encontro breve com a surpresa de tão inusitado exercício vocal, durante anos guardámos a toada arrepiante do cante mouro ouvido numa tal noite estrelada, algures à beira da estrada, enquanto os homens do Grupo passante bebiam uma mini quente.
Só mais tarde, muito mais tarde, tomámos lidação e ganhámos afeição ao cante naquela vez ouvido ao relento e que chamam de baldão .
Voltámos a apreciá-lo, passados anos, na Aldeia das Amoreiras em casa do António Bernardo, o maior entre os grandes cantadores. Chegámos lá pela mão do mestre Manuel Bento, o mais exímio tocador de viola campaniça ainda vivo, que conhecemos já na década de oitenta, então morador na Funcheira e com origem na Aldeia Nova, terra que foi um alfobre de tocadores e que a barragem do Monte da Rocha inundou .Com ele, com a força da inditosa Perpetua Maria e a paixão pelo cante do Francisco António, arrebatámos a campaniça do esquecimento.
Com este trio ,a Cortiçol contrariou a sua morte anunciada por Ernesto Veiga de Oliveira, quando nos anos sessenta ,tristemente lamentou que o Jorge Montes Caranova não tinha mais seguidores.Com este trio, por força e entusiasmo seu, ressuscitou-se uma fatia importante da nossa cultura mais pura.
Ainda conhecemos o Laranjinha e o António Emídio ,também mestres do seu tempo, homens que consigo traziam uma arte secular, afinada de feira em feira, de balho em balho, de descante em descante.
A memória das gentes é tão curta que em menos de meio século, já se havia quase perdido o rasto de uma tradição tão arreigada e vivida em certas bolsas geográficas deste Alentejo. Quando descobrimos, uma a uma, a meia dúzia de violas campaniças sobreviventes ao apagamento das lembranças, estavam empoeiradas, rachadas, quase todas sem cordas nem cravelhas .
Brigámos para conseguir cordoamentos adequados ,corremos para arranjar novos instrumentos .De cada três que vinham de Tebosa, os mestre rejeitavam dois. Quando acabávamos o trabalho de relançar a divulgação da viola, a desdita roubou-nos a Perpétua Maria, incapacitou o Francisco António e quase nos levava o Manuel Bento, agora morador em Beja.
Mas, entre uma ida ao Canadá e outra aos Açores, entre uma actuação no teatro Carlos Alberto e outra na Gulbenkian, a campaniça reconquistou o alento bastante para perdurar. Temos agora jovens a tocar e futuramente mais seguirão a prática do Pedro Mestre. Na Corte Malhão, o mestre Amilcar constrói instrumentos e toca com o António Silva Campos em Amoreiras Gare. Em Castro decorre um curso de formação profissional para construtores de viola e em Santa Clara a Nova aprende-se a arte do seu toque.
Sabemos que não se voltarão a fazer bailes ao toque da viola campaniça, nem cantes a despique voltarão a acontecer com o preceito de outrora, porque agora a dança é outra e o tempo da Zéfinha de Portel, do Castro da Cuba, do Faísca e do Matias já passou.
Mas os homens da serra salvaram o baldão e hão-de continuar a cantá-lo com fervor e sentimento, assim como não faltarão mais violas campaniças nesta terra, nem gente para as tocar.

INSTALAÇÃO

 
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JARDIM SILVESTRE

 
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terça-feira, 22 de junho de 2010

O ARADO DE PINHO


Poesia dita pelo autor Francisco Domingos Horta, dos Porteirinhos

BORREGO

 
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PRIMAVERAS FLORIDAS

 
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NA TERRA DO SOL

segunda-feira, 21 de junho de 2010

domingo, 20 de junho de 2010

quinta-feira, 17 de junho de 2010

ESPIGAS DOIRADAS

 

Tivemos esta noite no Programa Patrimonio a presença do Grupo Coral Feminino da Casa do Povo da Amareleja " Espigas Doiradas", fundado em 6 de Junho de 1999.
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A LAVOURA

quarta-feira, 16 de junho de 2010

GAIMÕES

 

No florido do prado, erguem-se os gaimões na sua leveza, para a criançada com eles fazer moinhos que tocados pela brisa da pura inocência, são capazes dar volta ao mundo.
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BIODIVERSIDADE - UMA RIQUEZA A PRESERVAR

 
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PARA QUE A MEMÓRIA NÃO TURVE

terça-feira, 15 de junho de 2010

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"AS CAMPONESAS"

AS DEBULHAS


Em volta dos montes e de roda das vilas, buscavam-se lugares planos, com o terreno firme, de preferencia rochoso ,onde se faziam as eiras. As primeiras eram de planta circular , maiores ou menores ,conforme a abastança e o tamanho da corda que prendia as bestas, forçadas a andar de roda vezes sem fim para pisar o cereal, a fava e o grão por descascabulhar.
Se as estrumeiras medravam perto das arramadas e das cavalariças, chamadas “casinhas”, mesmo juntinho ao casario e para onde desembocavam duas aberturas feitas nas paredes, as eiras, ao contrário, iam-se moldando ,marcando no chão de ano para ano, arredadas da porta .
Tinham de ficar em sitio descampado por mor de apanharem bem o vento e com a orientação devida , para não encherem as casas de palhuço quando as forquilhas de pau se levantavam ritmadas, oferecendo a colheita à maré.
Assim, foi durante séculos, mas assim só é ainda, nalgum ponto mais recuado da serra, onde as máquinas se temem a entrar e donde os viventes se recusam a sair.
Depois das debulhas feitas à custa de braço e pateada, entrou em cena a tecnologia. Surgiram as primeiras máquinas debulhadoras movidas à força do vapor, verdadeiros encantos de potência e desembaraço que pelo modo como aliviaram a faina, ganharam a simpatia das gentes. Eram miradas na passagem e admiradas no desempenho.
Tornaram-se vultos de ferro e simpatia , motivos de admiração e de algum afecto, a pontos de serem designadas por um nome próprio . Era a “pintassilga”. Era a “caminheira”. Eram outras mais que de caldeira acesa percorriam as eiras das freguesias.
Anos depois, vieram as debulhadoras fixas mais ligeiras, de côr amarela no seu tabuado.
Ceifado o pão e depois de enroleirado, era carregado para as ditas eiras. Só para as maiores que se enchiam de medas , dispostas conforme a variedade do cereal e segundo a dimensão da labuta.
Na vila, havia debulhas no largo da feira e na eira da máquina, para onde os seareiros transportavam em carros e carrinhas a pequenez das suas colheitas.
Mas as debulhas tinham grande encanto. Faziam soltar o sortilégio da abastança mesmo que esta fosse curta. Representavam o momento efectivo da devolução pela terra, em forma de semente, do trabalho nela investido em canseiras múltiplas.
Contavam-se as fundalhas. Corriam nas conversas as finezas e as desgraças de todas as searas. Este fundiu bem, aquele nem dobrou a semente. Foi por mor da chuva, porque não espigou, pegou-lhe a aforra, não foi bem tratado, faltou-lhe o guano, a sementeira traçou-lhe logo um mau fim.
E dantes os anos, muitos anos à fio, eram ruins. Feitas as contas, não sobrava nada.
Mas apesar disso, as debulhas tinham o tal sortilégio de provocar encanto e de desenvolver uma mística de alguma paixão bucólica.
Esperava-se com frenesim a chegada da máquina e contavam-se os dias que faltavam para a ver aproximar-se , lentamente, bamboleando-se, de tombo em tombo ,pela estrada velha. Lá vinha toda aquela arrearia ,toda aquela gente, todo o movimento que o pessoal da máquina ,durante dias, gerava no monte sempre sossegado.
Encostavam a debulhadora à primeira meda, descarregavam a torgia, acilhavam, travavam os rodados de ferro, preparavam tudo com o preceito sabido.
Diante da máquina, à distancia da correia de lona grossa, tomava posição o tractor que depois, dias a fio, fazia zunir as engrenagens. Mais afastada ainda, ficava a barraca, melhor dizendo, um toldo, feito de sacas esticadas atadas nas extremidades de quatro paus. O bastante para fazer sombra. Juncava-se o chão para dar fresquidão e por ali ficavam as quartas de água e uns banquinhos. tipo mochos, onde o pessoal vinha desencalmar quando era rendido.
O tractorista, andava por ali, para observar o maquinismo. O saqueiro, aparava a semente, despejava os alcofões dos desperdícios, contava os sacos e tirava a maquia. Lá em cima, mais perto do sol ,andavam os fiscaleiros e os alimentadores, tentando atafulhar a goela larga da debulhadora. Mas ainda cá em baixo, mais perto do inferno, sofria o homem da munha, coberto de pó, enroupado com sacas, empapado em suor, aparando os restos que o fagulheiro deitava.
À sombra do toldo juntavam-se também os cães do monte, um gato ou um galo que o pessoal da máquina gostava de trazer.
Como eles, os moços procuravam o fresco do verde. Com a junça e na hora do descanso os homens mais habilidosos faziam artes. Tranças, cestinhos e bastões que pareciam ir nascendo de uma magia qualquer.
De quando em vez, feita certa conta de sacos, o saqueiro tocava um apito para a rendição.
Enquanto as medas minguavam iam nascendo e crescendo os cavalos e depois, as serras de palha .Eram os trabalhadores da casa, com a de cabeça tapada por um capuz de sapec que iam arrastando a palha com um rodo puxado por uma parelha de muares para o sítio apropriado.
À noite, depois da ceia, ia-se dormir à eira, ao relento, embrulhados na palha caso refrescasse.
Passados dias, o monte voltava a esmorecer, quando era chegada a hora de vermos partir ,bamboleante ,aos tombos ,pela estrada velha, a máquina debulhadora amarela e no pó da estrada, ficava por um tempo, o rasto de uns dias diferentes que irradiavam a magia da abastança, mesmo que aparente.

COÇADOIRO DE JAVALIS

 
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ARRECADAR

 
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O CARTEIRO DE ALDEIA


Trabalho de Francisco Domingos Horta tendo como tema a sua antiga profissão de carteiro.

CAMPO TORRADO

 
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É TEMPO DE MASTROS


Temos dos mastros, a ideia de que os mesmos são uma reminiscencia cultural da época das descobertas. Perduraram entre nós, como manisfestação autentica, regra geral ligada a promessas, ate finais dos anos sessenta. Nos mastros abundam elementos relacionados com o visual das caravelas, desde o mastro propriamente dito, à bandeira que o encima, à esfera armilar que o enfeita. Os mastros cantados, eram motivo de dança e pretexto de partilha de valores que adensavam a coesão social em meios onde a cultura invariavelmente acontecia como expressão da vida das gentes.
Recordamos nestas imagens "As Camponesas" de Castro Verde interpretando modas de mastros

domingo, 13 de junho de 2010