sexta-feira, 23 de julho de 2010

A CULTURA POPULAR


A arte poetica do Bagacinha, patenteada neste trabalho sobre a cultura popular, onde mescla a sua grande sensibilidade com o conceito de património

RASTOLHICE


Rasto da passagem pelo "Programa Património"

TESTEMUNHO

 

Foi porta de celeiro que arrecadou semente, fundalhas de anos bons e bagos de anos ruins, moitões carregados a sacos e depois padejados de hora em vez, por causa do mofo e do gorgulho.Foi símbolo de abastança, com chaves, fechaduras, trancas e cadeados que o tempo acabou por dispensar.Agora,já não a pintam, nem as ombreiras lhe caiam. Sem utilidade,aguarda a derrocada, ha-de aquele sitio, depois, ter outro uso, mas, entretanto,é um testemunho, faz lembrar a faina e , especialmente, os homens que por ela passaram, para despejar sacos ou ensacar o grão que era o sustento e a razão final de toda a labuta.
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quinta-feira, 22 de julho de 2010

BAGACINHA


No Programa Património desta noite tivemos a presença do poeta popular António Afonso Bernardino de Aljustrel
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NÃO PERCA ESTA NOITE


Esta noite há "Programa Património" entre as 21 e as 24 horas. Oiça em http://www.radiocastrense.net

quarta-feira, 21 de julho de 2010

FÉRIAS GRANDES



Logo de manhãzinha, a mãe abeirou-se da cama do António e disse: filho, vá arriba! Depois, abriu a telha de vidro e no lusco fusco, ficou por uns instantes parada, a olhá-lo enternecida, enquanto lhe ía passando devagar os dedos abertos pelo cabelo, como se o penteasse.
Vá, são horas! Tem de deixar o quentinho porque já se faz tarde , logo começam a passar os outros moços – insistia a mãe, espevitando-lhe as energias tomadas pelo sono, vencidas pela preguiça.
Pesaroso, atabalhoado, ía experimentando o retomar de um ritmo interrompido havia meses, desde o principio do verão. Mas ajudado lá foi, marrafa apartada, calças vincadas de véspera, presas ao pescoço por uns suspensórios a estrear, de nastro às riscas com carneira nas pontas onde ficam as casas para abotoar pelo lado de dentro dos coses. Levava botas de atanado já amaciadas, mas tão bem limpas com sebo de Holanda que aparentavam ser novas. Unindo as ilhoses, tinham cordões de linha bem esticados a terminar em laçadas perfeitas que escorriam como enfeite até ao peito do pé. Levava camisa de popeline com dois bolsos estampados que cerravam com botão, ao jeito das dos homens. Numa algibeira, um lenço de assoar também a estrear e na outra um moitanito de números da bola, para a troca ou para jogar à palmadinha.
Bebido o café com leite, aos solvos para enrolar uma dentada de costa, saiu porta fora, com a balsa a tiracolo, à espera da companhia.
Tinham passado os três meses das férias grandes, um mar de folgas, de jogatinas até às tantas, de tardes de lazeira desfrutando as sombras, de brincadeiras sem fim nem deveres para fazer.
Da vila, só meia dúzia tinham ido para a praia, que é lá longe junto ao mar que não se avista, só se imagina, como um pego grande cheio de cafundões, com ondas que derrubam e fazem rugidos que metem pavor.
O António, atravessou pastagens e restolhos e ía para a ribeira abanhar com os outros, todos d´empelão, sempre de olho alerta para agarrarem a roupa e safarem-se corgos fora se avistassem a guarda. Nunca alguém os proibiu de tomarem banho, mas raspavam-se sempre, como quando iam ao pássaro, ao grilo ou à bolota.
A caminho da escola iam-se juntando aos magotes, todos empapoilados, com alguma solenidade por ser o primeiro dia de escola e também incomodados pelas vestes e pela retoma da condição de alunos.
No pátio era uma chinfrineira, e algum mais afoito já tinha derrubado um ninho serôdio que os papalvos tinham feito no beiral da traseira. Uma fisgada para aplacar e mais duas para o serviço se dar por concluído, com uma pazada de barro e penas no chão, carregados em mil voos.
Tocaram a esquila e como as ovelhas, tentaram entrar ao mesmo tempo, atropelando-se, dando sovinadas , soltando chiados, até que por fim se repartiram pelas quatro salas.
Estranharam o cheiro de casa fechada um verão inteiro. Daqui a uns dias o perfume é outro. Mistura-se a ardósia com o cuspinho, o giz com as aparas dos lápis, a respiração com as mofaias e durante meses a fio naquelas salas vai perdurar um odor que o António transporta permanentemente na balsa, no corpo e na mente, até que volte a ser verão e volte a ter férias grandes.

terça-feira, 20 de julho de 2010

A EXCELÊNCIA DO CANTE


A excelência do cante numa encantadora interpretação da moda - " Oh águia que vais tão alta"

AMANTES DO ALENTEJO


Apontamento registado durante actuação no Programa Património

A NOSSA ALDEIA É SALVADA


Flash da participação do Grupo Coral da Casa do Povo da Salvada no Programa Património de 15 de Julho de 2010

segunda-feira, 19 de julho de 2010

SENTIR O PATRIMÓNIO


Caminhada pela história, cultura e arte do Oriente, aproximando os polos do infinito, fazendo longinquo um império de ouro e de vazios que só ele se cumpriu...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A MULHER QUE MUITO AMA...

Décimas ditas pelo autor, Manuel Graça da Corte Malhão e conversa em off com o poeta, num passado Programa Património. A perspectiva...é dele.

A BARRINHA DO MEU LENÇO

Ensaio

ENTERRO DE GRAÇA

 

Era costume da Salvada. Tínha-se o enterro de graça e ainda por cima,os defuntos eram acompanhados até à cova com interpretações musicais pela banda filarmónica local, de grande nomeada. Mais isso foi tempo.
Hoje, já se pagam os funerais como em todo o lado e ninguem tem mais a sorte de ouvir tocar a afamada banda da Salvada, ha muitos anos desfeita.
Mas ontem à noite, para cantar a tradição, tivemos connosco no Programa Património, o Grupo Coral da Casa do Povo da Salvada que vai completar dezoito anos de persistencia em cantar, por prazer e em nome da identidade.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

COISAS QUE O IMPÉRIO TECEU


Museu da Lucerna, lugar onde se guardam, estudam e divulgam o maior número de lucernas romanas exumadas na Península , é palco de acções de motivação das nossas crianças para as coisas da história e da cultura local. A proposito dos trajos romanos retratados nas lucernas da colecção, fala-se agora do ciclo da lã, dos nomes, dos preceitos, da arte da tecelagem.

A BELEZA DO SIMPLES


Eles e elas, depois dos trabalhos ou quando calhava, a propósito de tudo ou sem pretexto nenhum,armavam uma bailação para se distrairem, para se tocarem, para fazerem família. Bastava um tocador e na falta dele, chegava o cantorio , para animar a festa, fazer a marcação dos passos, dar sentido às voltas e voltinhas que cada dança tinha.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

CASA DA RODA

 

Rua da Misericórdia, das primeiras do burgo, a caminho do poço, às portas da vila e para a vinda do poço sob o peso das quartas à cabeça. Dava para o canal do vento, logo ali à esquerda ficava a casa da roda, onde na calada da noite se depositavam os enjeitados e donde se levavam suspiros e remorsos para a vida.
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terça-feira, 13 de julho de 2010

CULTURA POPULAR


Apesar do calor da tarde, o Grupo saíu a terreiro para tocar. Foi em Castelo Novo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

MODA


Os Grupos Corais e Etnográficos "AS CAMPONESAS" e os "CARAPINHAS" de Castro Verde vão estar presentes no evento, no próximo dia 24 de Julho, integrando um desfile de corais.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

MOTIVAÇÃO

 

Gosto destas ruas, como nunca gostaria de quaisquer outras, porque nestas cresci, joguei à bola e ao pião, nestas tive amigos, destas sei os segredos, nelas ainda caminho sempre acompanhado, mesmo que sózinho.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

A MEMÓRIA DOS BAILES

 

Manuel Florêncio trouxe-nos nesta noite de Património a memória dos bailes de antigamente, tocados com harmónica, dançados com preceitos ja esquecidos, cantados e vividos, com uma intensidade hoje ignorada.
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ESQUINA DA LOJA DO SENHOR MANUEL EDUARDO

 
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quarta-feira, 7 de julho de 2010

terça-feira, 6 de julho de 2010

CONTORNOS DE CAL

Igreja dos Remédios
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PALAVRAS ANTIGAS, REFLEXÃO ACTUAL


A teorização produzida em volta da origem do nosso cantar é base importante para um maior conhecimento e uma adequada reflexão a propósito do tempo, do lugar e do modo como terá surgido essa manifestação artística que talhada no perfil da alma dum povo ganhou raízes, interiorizou-se na profundeza do nosso sentir, sedimentou-se, exprime-se ainda plenamente na atitude das gentes, faz parte do seu viver.

Por isso, a importância do estudo, do debate, da especulação e da pesquisa sobre as origens do nosso cante é manifestamente grande e como tal, são sempre bem-vindos todos os contributos teóricos com vista a esclarecer o enigma dos princípios e a razão ponderosa da sua continuidade. Que se investigue, que se escreva e que se fale por sistema a tal propósito , destacando-se em tal empresa as nossas Universidades dotadas de erudição bastante para excederem o trabalho até aqui desenvolvido e cuja divulgação, esta também essencial, carece de atenções maiores.

Por outro lado, importa também reflectir profunda e urgentemente sobre a vertente prática da Moda ,no que ela tem de mais real, traçando cenários de intervenção colectiva, no que concerne à sua expressão e no que diz respeito ao envolvimento global dos seus intérpretes. Neste campo, tudo se tem vindo a desenvolver sob a égide do acaso, sem cuidados específicos, sem acções concretas, percorrendo-se um caminho se não de indiferença, pelo menos de conformismo com as agruras que o tempo arrasta.

Sendo, como é o cante, a expressão mais viva, envolvente e unânime da nossa Cultura, é tempo das gentes imporem a si e logo aos poderes, outro posicionamento, outra relação, outro compromisso com a Moda e com aqueles que a sustêm.

Os Grupos Corais, verdadeiros sustentáculos da nossa expressão cultural vocal, devem passar a ser considerados e tratados como agentes culturais especiais a quem seja conferido um estatuto de utilidade publica regional, beneficiando de um apoio geral sistemático consentâneo com as funções artísticas, culturais e de representação que desenvolvem.

Para que o Alentejo amanhã não deixe de cantar, é urgente que hoje se imponha a dignificação da Moda e a consequente elevação do estatuto dos seus intérpretes. Se persistirmos na base actual, em que muitos dos nossos Grupos Corais não têm apoios consentâneos por parte das Autarquias, ou recebem ridicularias comparativamente com os grupos de futebol que integram numero equivalente de participantes, se continuarmos a actuar em troco de nada em festas, festarolas e desfiles intermináveis onde apenas se busca o efeito surpreendente e competitivo da quantidade de vultos para fazer cartaz; se nos deixarmos ficar indiferentes à ausência sistemática de condições mínimas para actuar; se continuarmos a pactuar com a desorganização da maior parte das actuações que fazemos onde, em troco de coisa nenhuma, percorremos centenas de quilómetros para cantar duas modas, muitas vezes para ninguém, depois de muitos outros já terem feito papel igual; se não soubermos impor o nosso cante como manifestação cultural autentica que é, de nível artístico elevado, emblema vocal dum povo e duma região, a Moda passará por tempos difíceis.
Por isso, importa que a organização e a interacção entre os Grupos se imponha a breve trecho. Em Novembro próximo, o Congresso do Cante em Beja deve ser por nós aproveitado para que depressa se criem raízes organizativas e logo medre um orgão coordenador dos Corais que os dinamize, incentive, lhes aumente a auto-estima, denuncie as adversidades e daí, faça surgir uma nova atitude das gentes e do poder face à Moda e aos seus intérpretes.
29/7/97

EM CARNE VIVA

 
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O CULTO DO CANTE


Participação do Grupo Coral Feminino da Casa do Povo de Nossa Senhora das Neves no ultimo Programa Património

segunda-feira, 5 de julho de 2010

HARMONIA

 
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EXTENSIVO

 
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SOLIDÃO A DOIS

 
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BASÍLICA

 
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sexta-feira, 2 de julho de 2010

NUDEZ

 
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quinta-feira, 1 de julho de 2010

CANTES À MODA DE BEJA


Esta noite tivemos a companhia do Grupo Coral Feminino da Casa do Povo de Nossa Senhora das Neves - Beja

AO CAIR DA TARDE

NA PASTAGEM