quinta-feira, 30 de setembro de 2010

SABEDORIA

"AS ROSINHAS"

 

Esta noite tivemos no "Programa Património" a companhia do Grupo Coral "A Rosinhas" de Santa Clara do Louredo
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O PEDRO-CIGANO


Texto que publicámos no "Diario do Alentejo"

VOZES DE ERVIDEL


O Grupo Coral "Margens do Roxo" de Ervidel em actuação no Programa Património

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A TIA MARIANA ESPANHOLA NA FEIRA DE CASTRO

A tia Mariana Espanhola veio para estas bandas, muito novinha, fugida com os pais, da guerra civil do seu país. Viveu por cá até ser velha, mas nunca perdeu o linguarejar e o génio andaluzes que tanto contrastavam com a fala branda e a pachorra infinda da vizinhança.
O seu João tinha uma mula e uma carrinha, invariavelmente cheia de palha, para resguardar os barros dos tombos dos caminhos que faziam de feira em feira. Mulher de genica e olho azul, coração nas mãos e sem papas na língua, a Tia Mariana vendia todo o tipo de olaria, pelas terras e em casa, onde a mostrava em exposição organizada por tamanhos, no quarto de fora, logo à entrada, para não dar aso a muitos reparos da freguesia.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

VAI PASSANDO A PROCISSÃO


Em primeiro plano o Sr. José Ricardo, integrando a Procissão da Festa de São Miguel, onde a devoção religiosa e a mística
do apego à tradição se fundiam, gerando momentos irrepetíveis.
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NA FEIRA DE CASTRO

 

O Mestre Cunha, abegão toda a vida,levou obra sua, para venda, na Feira de Castro
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FERRO VELHO NA FEIRA DE CASTRO

 
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O SERPINHA

 

O Quelinho, o Serpinha e o Inácio, nasceram irmanados na pobreza, na desgraça mais profunda que é a falta de tino. Aqui cresceram e sobreviveram da esmola, do dó, da pena, mas, ao mesmo tempo, do enquadramento solidário que não permitia a indiferença.Falavam por palavras breves ou frases curtas, vestiam-se de roupas usadas e uma vez no ano, das farpelas novas que a D. Mariana lhes dava, como fazia a muitos pobres. Viviam sem idade, sem tempo, sem referencias, por isso, todos os anos o Serpinha ía às sortes, colocava as respectivas fitinhas e depois, fazia a festa como se fôra mancebo. Não faltavam à festa de S. Miguel que encabeçavam como uma espécie de mascotes.O Quelinho era bondoso, o Serpinha já afinava e o Inácio enfurecia-se à menor contrariedade.
E durante anos, enquanto Castro teve memória,toda a gente se lembrava da cena do Serpinha, em plena igreja, quando foi admoestado pela beata D. Marquita e lhe respondeu, em alto e bom som : " Marquita, Marquitona,a igreja é tua? O Padre é teu ? A esmola que me dás todas as semanas, mete-a no meio das mamas" ...
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

SEGREDOS DE JÚPITER


A Conservadora do Museu da Lucerna, em Castro Verde, Drª Maria Maia, no Programa Património, a fazer a apresentação da exposição "As Aventuras de Júpiter"

GESTOS CRIADORES

domingo, 26 de setembro de 2010

AINDA HÁ QUEM ACREDITE...


Texto publicado no jornal " Diario do Alentejo"

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

MARGENS DO ROXO

 

Esta noite tivemos no Programa Patrimonio o Grupo Coral de Ervidel
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

CASTRO NO SEC. XVI

 

Amante da história local, o Dr Alves da Costa, embora distante, está sempre presente em Castro, ou Castro está presente nele, através da investigação, do estudo e de um trabalho de recolha incansável que desde jovem desenvolve para que possamos conhecer melhor a génese e os factores de crescimento deste burgo, o lado escondido da nossa realidade, o passado perdido que se analisado, contribuirá para que entendamos as razões da essencia do nossso ser e estar como comunidade.
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HÁ CINCO SÉCULOS

 

Medalha comemorativa dos 500 anos da doação dos forais a Castro e Casével
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MULHERES DE BALEIZÃO


Participação do Grupo Coral Feminino de Baleizão no Programa Património

terça-feira, 21 de setembro de 2010

UM INFERNO EM CADA NOITE


Texto publicado no Diario do Alentejo no início da década de 70

ALENTEJO - Uma Paixão Colorida

AZINHEIRA MORTA

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

VIZINHAS

LAVRADORES NA FEIRA DE CASTRO

A GUERRA COLONIAL


Artigo publicado no inicio dos anos 70 no Diario do Alentejo

AS JÓIAS DA TERRA



As jóias da terra são os recantos onde os meninos brincam agachados, empurrando carrinhos, imaginando estradas infindas, seguindo com o olhar uma folha levada num regato como se fora uma embarcação num rio caudaloso. São as esquinas, as calçadas que se pisam amiúde e já se lhes adivinha os rebaixos e os encalhos, são os poiais que diariamente se sobem e no verão servem de assento para se apanhar o fresco depois da ceia enquanto se cavaqueia e o calor do dia se vai despegando do corpo.
São as ruas, feitas de mil passos, das gentes que nelas andaram percorrendo a vida, andares todos diferentes que gravamos na retina e depois mais tarde, continuamos a visualizar em cenários de saudade. Ruas caiadas, de barrinhas feitas com craveiro á porta que o povo baptizava com nomes seus, por motivos relevantes, mas que as placas toponímicas chamam agora com a graça deste ou daquele que nunca sequer as pisou mas por ser de fora, por ser figura nacional, passou a ser a nossa direcção.
Jóias da terra são os jardins onde as pessoas descansam e convivem , onde se sentem bem como em casa e por isso fazem entrar nos seus hábitos de lazer. São os largos, cheios de abraços, cumprimentos, falas e afectos, onde se faz uma pausa, se pousa o saco das compras, se dão e recebem novidades. Onde se espraia o sentimento de estarmos num lugar nosso e por isso nos demoramos sem cuidados.
São as vendas e as mercearias, onde se compram só as precisões e ao balcão também se despacham palavras de amizade, embrulhadas em gestos carinhosos de um sentir verdadeiro, se necessário solidário, desprendido da ganância pura dos neons onde não se vende fiado.
Jóias da terra são as rádios locais que manhã cedo nos acordam falando do que temos e daquilo que nos falta, seguem dia fora tocando as músicas de cá, afugentando tanta solidão, dando tanta companhia, e até à deita, persistem elogiando os nossos valores, enaltecendo as nossas obras, fazendo eco dos nossos sonhos.
São os clubes e as associações, as comissões de festas, que engendram maneiras de ocupar, dinamizar, recrear e valorizar as gentes, envolvendo-as, responsabilizando-as, fazendo delas artífices do seu bem estar e não meros consumidores da animação.
Jóias da terra são os poetas populares, os artesãos, os tocadores e os cantadores que ainda inventam brio nesta vida cinzenta para continuarem a levar por diante os testemunhos da tradição.
Gente sem pelouros nem obrigações mas que não regateiam tempo do seu tempo para dar e dedicar às coisas que outros pensam ser já de outro tempo.
Lembramo-nos do Antero que em Amoreiras Gare estrebucha por paixão à terra. Não tem horário nem mau jeito, nem há contrariedade que lhe trave o passo na sua caminhada para fazer valer os trunfos da cultura. Por devoção, todos os dias acende a vela da esperança de ver melhorar o pensamento que agora nos arreda daquilo que é nosso, das nossas raízes e dos nossos costumes.
Pacientemente insiste em não se deixar ofuscar pela modernidade reinante que do passado pretende fazer terra queimada e acredita também que num futuro, não importa quando, os valores culturais locais possam vir a ser uma jóia comum e os nossos meninos já com os olhos despregados da televisão, possam imaginar grandes veleiros ao ver passar uma folha arrastada num regato.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

FEIRA DE CASTRO


Em Castro Verde no terceiro fim de semana de cada Outubro

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

TERRA DE CATARINA

 

Esta noite tivemos no Programa Patrimonio o Grupo Coral Feminino de Baleizão
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OS NOVOS TOCADORES DE VIOLA CAMPANIÇA


Participação no Programa Património

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

REMÉDIO SANTO


Participação do poeta Bagacinha no Programa Património.

DESERTIFICAÇÃO HUMANA


Texto publicado no Diario do Alentejo no inicio dos anos 70.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CANTE DA MARGEM ESQUERDA

NO PATRIMÓNIO...

O CANTE – Um património à beira da ruína

Valorizar potencialidades , maximizar recursos , promover valores e salvaguardar, na sua globalidade, o nosso Património são propósitos de bem-fazer que ganharam lugar de destaque na cartilha dos modos do bem-parecer ,onde os noviços da política formatam conceitos na aprendizagem e os veteranos da mesma arte, torneiam preconceitos na sua reciclagem.
O Património passou a ter, no ultimo decénio ,ao menos retoricamente , lugar de destaque entre as preocupações dos cidadãos mais activos que começaram a patentear uma atitude de cautela no modo como interagimos com aquilo que nos cerca. O Ambiente ,a Cultura e a Arte passaram a fazer parte do roteiro dos discursos dos responsáveis pela nossa governação que de uma forma tímida e outras vezes mesmo incongruente , lá ensaiam gestos de algum aparente cuidado no sentido de não agravar ou de minorar a vida difícil do passado no presente.
Nas ultimas gerações perdeu-se o sentido ao norte , cultivou-se mesmo o apagamento integral das referencias ,vandalizou-se a memória e tentou-se construir um mundo novo alicerçado em conceitos e modos de estar que partiam de uma mera atitude de oposição gratuita aos valores antes assumidos.
Sonhou-se com um bem estar conseguido à custa da afronta sistemática da economia ao ambiente. Nesta lógica, o mercado passou a ser o denominador comum do nosso existir, mesmo que tal implique morrermos intoxicados em químicos ou sufocados sem oxigénio, como os peixes já morreram nas águas das nossas ribeiras.
Neste sentido ,a modernidade procurou impor novos figurinos de actuação ,desfocou tudo aquilo que eram as nossas matrizes ,o nosso saber colectivo. Impôs-nos a atitude servil da indiferença ou de rejeição pelo que era nosso ,mesmo que tal implicasse perdermos os afectos e a solidariedade das gentes que sempre viveram irmanadas pelos laços de uma mesma cultura.
Nesta realidade entronca o grande padecimento em que se arrasta o nosso cante.
No meio de uma indiferença generalizada o cante agoniza num gemido surdo.
Talvez porque ainda ouvimos cantar, não se lhe presta atenção, não se repara nas feridas ,mas o certo é que cada dia que passa os grupos corais desfalecem e sucumbem porque têm menos vozes para cantar e os seus interpretes ,aqueles que resistem, estão mais incapazes de suportar a carga .E esta sensação de impotência para suster a sangria , este baixar os braços sem remar contra a corrente, coloca-nos cada vez mais longe de podermos enfrentar de forma vitoriosa a tendência reinante de desapego pelas raízes.
Caíram os moinhos à volta das nossas terras, desfiguraram-se muitos lugares à custa da modernidade urbanística, arruinou-se a economia local em favor de uma economia global, varreram-se-nos da memória saberes aprendidos ao longo de séculos. Mas o pior de tudo, é este arrefecimento que sentimos na alma à medida que vamos deixando esfumar-se a nossa Cultura, o que de mais sagrado um povo pode ter.
E porque o cante é o expoente máximo da nossa identidade cultural, é trágica a perda do gosto pela moda.
O cante é ,dentro do Património Alentejano, o nosso monumento mais rico e valioso .Por isso nos incomoda tanto saber que os seus alicerces cederam, que as suas paredes enfraquecem à medida que se soltam as pedras dos seus pilares, o que acontece à medida que se calam as vozes nos grupos corais. Um dia destes, já daqui a poucos anos, os vindouros sem perceber perguntarão porque não se fez nada, em devido tempo ,para evitar, ou ao menos contrariar, a derrocada eminente do nosso monumento mais rico e valioso que agora deixamos, irresponsavelmente ,chegar à beira da ruína. (30/1/2007)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

VER E SENTIR


Texto publicado no Diario do Alentejo no inicio dos anos 70

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

JÁ MORREU QUEM ME LAVAVA

OUTROS TEMPOS


Texto publicado no Diario do Alentejo no inicio dos anos 70.

POR PRAZER


Esta noite tivemos no "programa Património" o Zé Claudino, o Gabriel e o Fernando Rodrigues, três amigos que por prazer, cantam a moda.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ESTE FIM DE SEMANA

 
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ESPAÇOS DE VIDA

 

Pelas ruas e atravessas ficam os passos e os olhares. O caminhar continuado de gerações enche os espaços de vida que parece permanecer, para além das vidas que se vão dissolvendo na nossa lembrança. Quem morou aqui? E antes, morou ainda alguém que nunca conhecemos.As pedras do chão e a idade das paredes, guardam todos esses saberes,são o testemunho de tudo a que hoje não se dá importância, como se a realidade fosse só o agora.
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RECORTES

 
A nossa memória preenche-se de afectos,odores, texturas, cores e volumes que vamos guardando, para construir o imaginário que temos. Depois, mesmo na ausencia de tudo, podemos sentir, como se tudo existisse.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

POLUIÇÃO


Texto publicado no Diario do Alentejo no inicio dos anos 70

À CALMA

terça-feira, 7 de setembro de 2010

O CANTO DO CANTE


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Importa ter consciência

Quem nasceu neste território, lidou desde sempre com modas, com cante e com grupos corais. Crescemos a ouvi-los, amadurecemos na sua companhia e por serem de nós tão próximos, não nos apercebemos da sua decadência paulatina, do seu envelhecimento progressivo e porque se banalizou tanto o seu existir nunca nos preocupámos com o seu futuro.
Poucos perderam horas de sono a pensar nesta realidade e menos se deixaram afectar com um amanhã, que está quase aí, quando e onde o cante seja já um resto de memórias agarradas numa qualquer gravação antiga que escutamos ou na raridade de uma interpretação esporádica a que assistimos, vinda de fora e de longe.
Entrados que somos num processo incontrolável de esvaziamento de alentos e de paixão, importa ter ao menos a consciência de que o cante é o nosso património mais valioso, um elemento aglutinador das espiritualidades alentejanas, uma verdadeira argamassa que nos liga a todos e cada um de nós, a um imaginário sócio cultural colectivo e, por essa via, se constituiu como um verdadeiro farol da nossa identidade.
Mas o cante como expressão viva da nossa cultura, está em plena degradação, minguando de dia para dia o número dos seus intérpretes, esvaziando-se de força e de energia, já que os seus actuais baluartes que são em exclusivo – os Grupos Corais , há pelo menos três décadas que vêm envelhecendo sem que tenham logrado conseguir gerar dentro de si mesmos uma dinâmica de renovação.

Temos de ser realistas

Face a este cenário, temos de ser realistas e não podemos tapar a cabeça com a manta!
Muito embora gostemos de nos animarmos a nós próprios, negando sistematicamente o que é mais do que evidente, envergonhados ou sem coragem para acreditar num fim à vista, é forçoso que olhemos séria e conscientemente para o futuro, lutando para arredarmos da nossa frente o fatalismo de vermos os Grupos caírem, um a um, como as folhas das árvores caem desamparadas no Outono.
A nossa capacidade de acomodação às circunstâncias é grande e por isso ainda vamos aguentando, apesar de tudo, o actual panorama sem grande sofrimento.
Mas se fizermos um esforço de concentração e nos distanciarmos, recuando no tempo, todos concluiremos que eram incomparavelmente diferentes há trinta anos atrás, no visual, na força, na garra e na própria interpretação, qualquer um dos Corais que ainda temos.
O cante de hoje, na óptica da dinâmica dos seus interpretes, é pois, uma sombra daquilo que já foi.

A quantidade é uma ilusão

Por isso, é ilusório fazermos as contas ao número de Grupos inventariados e concluirmos que ainda rondam a centena.
Na sua grande maioria, esses mesmos Grupos estão abalados, têm poucos elementos, falta-lhes estrutura, não têm organização, não têm iniciativa, têm pouca voz, em suma, arrastam-se agarrados ao bordão da vontade de não desistirem.
Por outro lado, os grupos corais infantis que alguns anos atrás surgiram como uma esperança de ressurgimento do cante, pouco a pouco foram sucumbindo e deles quase nada resta.
Paralelamente, os grupos corais femininos que nos últimos anos vieram dar um novo ímpeto ao nosso movimento coral, reduzem-se quase todos à valia das iniciativas em si mesmas e subsistem escorados na força de vontade de meia dúzia de mulheres que teimam em não baixar os braços nem calar a sua voz.

É alarmante

Perante este quadro, temos de rotular como alarmante o estado actual do Cante Alentejano e consequentemente, como eminente, a perda irreparável da fatia mais preciosa da nossa memória colectiva.
E não se trata de falso alarme o que aqui dizemos, nem muito menos, poderá ser uma visão pessimista da nossa realidade.
É antes, a real constatação de um estado de debilidade provocada por um somatório de factores negativos e adversos que empurraram para um beco quase sem saída o nosso movimento coral, pensando no modo como sempre o perspectivámos e idealizámos.
Nunca sonhámos com um Alentejo cantado por três ou quatro afamados Grupos Corais.
Sempre nos batemos pela vulgarização do gosto pelo cante de modo a que a organização, o surgimento e a manutenção de grupos corais em vilas e aldeias fizesse parte e fosse a expressão natural e saudável do nosso estar colectivo.
Mas o silêncio vai-se impondo e em sua antecipação começa a medrar o mal estar, motivado pelo desconforto que resulta da incapacidade de se cantar como sempre por cá se fez.
Uma semana vêm poucos ao ensaio e não se canta.
Na outra semana por uma razão qualquer não se ensaia.
Na outra semana discute-se e não há ensaio.
Menos, cada dia aparecem menos homens e mulheres a formar.
Grande parte dos Grupos não acaba só por falta de coragem de se lhes ditar a morte efectiva, mas a tristeza senta-se todos os dias ao lado dos cantadores e desfila com eles nas arruadas, até que chegue a altura do homem da chave deixar de ir abrir a porta e as vozes dispersarem e logo a seguir emudecerem.

O cante está abandonado à sua má sorte

Se chegámos a este estado, se perdemos a alegria de cantar, se nos faltam as forças para cadenciar no presente, a culpa reside no estado de abandono a que foi votado o cante.
Dada a sua génese rural, o seu futuro tenderia a ser difícil, numa sociedade cada vez mais urbana e onde, por razões de ordem sócio- cultural se rejeitam os estigmas ligados a situações de pobreza, de sofrimento e até de algum aviltamento vividos pelas gerações antes da nossa.
Mas após a ruptura política verificada em setenta e quatro, todos podíamos e devíamos ter crescido, do ponto de vista intelectual, pelo menos o bastante para dissociarmos o cante do trabalho duro e a moda da pobreza.
Podíamos e devíamos ter assumido o cante como nosso, repositório de memórias, coração de um peito grande que é a nossa cultura.
Mas assim não foi.
Os políticos da esquerda aproveitaram-se e os de direita demarcaram-se dos Grupos. Mas, nem uns nem outros, inscreveram o cante na prioridade das suas preocupações.
Distribuíram as côdeas que até já vão negando, às bocas pouco exigentes dos corais.O miolo do bolo foi e continua a ser distribuído por outros folclores, com outros artistas, com mais gabarito e de maior rentabilidade nas estatísticas eleitorais.
Isto do cante, é coisa de gente pobre que não é esquisita nem reivindicativa. Se saírem de vez em quando, a passear e bebendo uns copos, não precisam de mais . E o cante, propriamente dito …que graça tem aquilo?
Por isso, os serviços sócio-culturais das Câmaras e os seus vereadores e os seus assessores, nunca perderam muito tempo idealizando soluções para retirar dos braços da morte, há muito tempo anunciada, os corais dos seus concelhos.
Relvaram-se campos de futebol, fizeram-se parques desportivos, alinhavaram-se dezenas de planos de actividade, organizam-se milhentas semanas culturais com orçamentos pesados, mas para o cante faltou sempre a vontade de intervir de molde a proporcionar aos Grupos os meios e os afectos de que eles careciam para viver.

Talvez já seja tarde

Perante este cenário, só a MODA- Associação do Cante Alentejano, poderá desenvolver iniciativas e continuar a apostar e a acreditar no futuro dos Grupos Corais.
Talvez já seja tarde, mas é sempre ocasião de recusar a aceitação deste estado moribundo em que o cante mergulhou.
Deve a MODA multiplicar-se em contactos com os corais, abraçando e acalentando as energias ainda disponíveis, incentivando as vontades ainda de pé, motivando os intérpretes mais arredios, imprimindo organização e qualidade a quantos existem.
Deve também a MODA projectar-se de mil modos, em busca de protagonismo, para que a sua voz possa ser ouvida e respeitada.
Tem de ganhar o estatuto de parceiro cultural, alicerçando o seu poder reivindicativo na valia do cante e, em especial, no espectro dramático daquilo que seria o Alentejo sem os seus cantares, trazendo para o seu seio todos quantos sentem e vivem esta terra na plenitude dos seus valores e como tal recusam admitir tal eventualidade.
Cabe à MODA a ultima esperança de podermos estancar uma sangria velha que conduziu os nossos Grupos a um estado de debilidade já insuportável por mais tempo.
Paralelamente, impõe-se que todos os que ainda sentem a chama da cultura mãe a cerrarem fileiras em torno da defesa intransigente do nosso património mais valioso, mas também em perigo de ruína maior .( 6/12/2004)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

VOZES

O MANEL DE SANTA BÁRBARA


Texto publicado no Diário do Alentejo no inicio dos anos 70

domingo, 5 de setembro de 2010

XXII ENCONTRO DE CORAIS EM CASÉVEL


Texto publicado no " Diario do Alentejo" no inicio dos anos 70

sábado, 4 de setembro de 2010

SABERES E SABORES


A sede da Associação "Vozes das Terras Brancas" em Casével, foi construída palmo a palmo pela vontade das gentes, pelos cantadores, pelas Antigas Mondadeiras. De suas casas trouxeram peças, alfaias, relíquias das suas vidas e com devoção, depositaram-nas no cantinho deles todos, para que a memória ali feita de sons, saberes e sabores, seja uma realidade todos os dias.

ELES QUE PARTEM...


Texto publicado no Diário do Alentejo, no inicio dos anos 70

DE PANOIAS

O "ARRABOLA TESOURAS"


Há sons que nunca se esquecem mesmo que durante décadas estejam perdidos dentro de nós. Ao ouvi-los, despertam os sentidos e a memória traz-nos imagens quase reais, envolvências autenticas de ambientes onde essas sonoridades aconteciam.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A MOAGEM

 

Fábrica de Cereais - Prazeres & Irmãos, Sucessores Ldª.Terminou a sua laboração em 1991 depois de 104 anos de actividade
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LARGO DA CADEIA

 
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RUA DA FÁBRICA

 
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TELHA VÃ

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MUSICA TRADICIONAL


Esta noite tivemos no Programa Património o Trio Cant´Alentejo
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VOZES DAS TERRAS BRANCAS

 
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O FUTURO DA MODA

ESCOLAS DO CANTE – Os Carapinhas de Castro Verde

Colaço Guerreiro


Quando há quase duas décadas esboçámos o primeiro gesto para desenhar a ideia do que viria a ser o nosso grupo coral e etnográfico infantil, estávamos longe de imaginar que o nosso sonho continha tanta oportunidade e probabilidade de vingar.
Lidávamos então, com uma descrença constante acerca do futuro do cante ,forçado a declinar exausto pelo inexorável envelhecimento dos seus cantadores e pela nula renovação dos seus intérpretes. Os novos estavam ,ainda mais arredios do que agora, de qualquer ligação afectiva ou efectiva à moda. Tinha-se chegado ,nos meados da década de oitenta, ao nível mais baixo do crenço pelo cante, quase se desprezava o nosso modo de cantar, ninguém queria vestir a pele da identidade com uma tradição sempre conotada com o trabalho duro e com o suor amargo.
O cante é filho dos campos e das searas . Cresceu no coração dos rurais e impregnou a alma alentejana assumindo plenamente a sua poesia. Emprestou-lhe ,em troca, a sua sonoridade e o ritmo que alonga as sílabas como ecos que se arrastam e procuram chegar ao fim das planícies. Cheira a estevas, lembra lavouras custosas e restolhos curtos.
Deste estigma fogem os aculturados, filhos e netos de ganhões ,agora portadores de outras referencias.
Por isso, o nosso folclore , embora por nós muito querido em abstracto , é também de todos os outros, o menos assumido na realidade, por razões de índole sócio-cultural inconfessáveis mas indisfarçáveis.
Se indagarmos a proveniência sócio-económica e social dos membros dos ranchos folclóricos existentes no país, constata-se uma grande heterogeneidade de origens, ao passo que nos corais, nos nossos grupos , só milita ,por via de regra, gente com uma relação actual ou passada com o trabalho rural.
Confrange-nos ,por isso, a circunstância de num panorama como o actual, em que em termos laborais o peso dos serviços ser tão grande ,ser tão diminuto, em termos culturais, o envolvimento dos seus agentes na dinâmica da interpretação da nossa expressão vocal mais autentica.
Era tempo de se exorcizarem os estigmas e os preconceitos fazendo deslizar o cante para o campo da cultura, tornando a sua interpretação como factor de dignificação e de enriquecimento daqueles que podem fazê-lo.
Era já tempo de se acabar com tanta rejeição à moda, e altura de se entender que por se ser cantador não nos caem os parentes na lama, qualquer que seja os nosso mister.
Pelo contrário, é um gesto de entendimento e de inteligência já que nos interliga com referencias ,marcas e valores que importa abraçar em nome de um reforço da nossa identidade e da busca de um referencial colectivo que precisamos ter.
Mas para que se consiga tornear o actual torpor das mentes, julgamos que o caminho adequado è a criação de escolas do cante que tenham por embrião quaisquer associações e como seus dinamizadores actuais mestres da moda.
Foi assim que procedemos há quase duas décadas, quando em Castro Verde criámos os Carapinhas . Pela nossa escola já passaram centenas de crianças que agora,já adultos , alguns ainda cantam e outros poderão voltar a fazê-lo mais tarde.Mas mesmo que nunca cheguem a integrar grupos corais,conforta-nos a certeza de que a sua atitude face à moda será sempre de grande proximidade e nunca de rejeição ou de aviltamento como por vezes, neste mesmo Alentejo, lamentamos observar.

FILHOS DO VENTO

quarta-feira, 1 de setembro de 2010


Texto publicado no Diario do Alentejo no inicio da decada de 70

EX-LIBRIS

 

Quando estão, poucos a frequentam, mas quando abalam, todos a levam no imaginário como referencia identitária
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NUNCA TÍNHAMOS OUVIDO TAL

A VIOLA CAMPANIÇA


Colaço Guerreiro


Quando certa noite regressávamos de uma actuação com os “Ganhões” , algures no concelho de Odemira,mas em data e sitio que já não conseguimos lembrar, parámos num lugar ermo ,à beira da estrada,onde durante o dia tinha havido festa.
Festa ou romaria, porque ainda por ali se viam restos de enfeites ,balcões improvisados e uma dúzia de homens ,de pé, rodeando outra meia dúzia que sentados à volta de uma mesa ,cantavam, à vez ,cantigas de improviso num estilo e com uma melodia que nos assombrou.
Nunca tínhamos ouvido tal, nem sabíamos que se cantava daquele jeito aqui mesmo,tão perto de nós,onde tanto se valorizava o cante.
Parecia-nos, até então, que o cante às vozes era o único e que tudo o mais que surgisse,só deste podia derivar como seu sucedâneo ou sua adulteração.
Depois daquele encontro breve com a surpresa de tão inusitado exercício vocal, durante anos guardámos a toada arrepiante do cante mouro ouvido numa tal noite estrelada, algures à beira da estrada, enquanto os homens do Grupo passante bebiam uma mini quente.
Só mais tarde,muito mais tarde, tomámos lidação e ganhámos afeição ao cante naquela vez ouvido ao relento e que chamam de baldão .
Voltámos a apreciá-lo, passados anos, na Aldeia das Amoreiras em casa do António Bernardo, o maior entre os grandes cantadores.Chegámos lá pela mão do mestre Manuel Bento,o mais exímio tocador de viola campaniça ainda vivo, que conhecemos já na década de oitenta,então morador na Funcheira e com origem na Aldeia Nova,terra que foi um alfobre de tocadores e que a barragem do Monte da Rocha inundou .Com ele,com a força da inditosa Perpetua Maria e a paixão pelo cante do Francisco António,arrebatámos a campaniça do esquecimento.
Com este trio ,a Cortiçol contrariou a sua morte anunciada por Ernesto Veiga de Oliveira, quando nos anos sessenta ,tristemente lamentou que o Jorge Montes Caranova não tinha mais seguidores.Com este trio,por força e entusiasmo seu, ressuscitou-se uma fatia importante da nossa cultura mais pura.
Ainda conhecemos o Laranjinha e o António Emídio ,também mestres do seu tempo,homens que consigo traziam uma arte secular, afinada de feira em feira, de balho em balho,de descante em descante.
A memória das gentes é tão curta que em menos de meio século, já se havia quase perdido o rasto de uma tradição tão arreigada e vivida em certas bolsas deste Alentejo.Quando descobrimos uma a uma a meia dúzia de violas campaniças sobreviventes ao apagamento das lembranças, estavam empoeiradas,rachadas,quase todas sem cordas nem cravelhas .
Brigámos para conseguir cordoamentos adequados,corremos para arranjar novos instrumentos.De cada três que vinham de Tebosa,os mestre rejeitavam dois.Quando acabávamos o trabalho de relançar a divulgação da viola,a desdita roubou-nos a Perpétua Maria,incapacitou o Francisco António e quase nos levava o Manuel Bento,agora morador em Beja.
Mas,entre uma ida ao Canadá e outra aos Açores,entre uma actuação no teatro Carlos Alberto e outra na Gulbenkian, a campaniça reconquistou o alento bastante para perdurar.Temos agora jovens a tocar e futuramente mais seguirão a prática do Pedro Mestre. Na Corte Malhão, o mestre Amilcar constrói instrumentos e toca com o António Silva Campos em Amoreiras Gare.Em Castro decorre um curso de formação profissional para construtores de viola e em Santa Clara a Nova aprende-se a arte do seu toque.
Sabemos que não se voltarão a fazer bailes ao toque da viola campaniça, nem cantes a despique voltarão a acontecer com o preceito de outrora, porque agora a dança é outra e o tempo da Zéfinha de Portel,do Castro da Cuba,do Faísca e do Matias já passou.
Mas os homens da serra salvaram o baldão e hão-de continuar a cantá-lo com fervor e sentimento,assim como não faltarão mais violas campaniças nesta terra nem gente para as tocar.

GRUPO DE VIOLAS


Grupo de Violas Campaniças de Castro Verde