terça-feira, 11 de outubro de 2011

A FAMA DA FEIRA DE CASTRO


FEIRA DE CASTRO – 2001


Por José Francisco Colaço Guerreiro

Tal como os homens, as terras  têm uma estrutura física, consubstanciada nos seus contornos, na sua aparência e no seu perfil, mas também têm vibrações diferentes umas das outras, o mesmo será dizer, têm uma alma própria .
E isso nota-se quando se vive num lugar ou mesmo quando se visita um sítio qualquer . A alma das terras está nas suas gentes, está impregnada no seu viver ,no modo como interagem, na postura que têm  face à vida e ao espaço comum. Avalia-se pelas relações de vizinhança, mede-se pela forma como cada um se projecta no todo colectivo.
E aqui, em Castro Verde , a coluna dorsal deste burgo formou-se ,vértebra a vértebra , com dinâmica e algum provento que a feira de Outubro trazia.
E a abertura do nosso espirito também foi talhada ao longo dos séculos pelos adjuntos, pelo modo como aprendemos a receber , pela forma como se entranhou em nós tamanha festa.
Se feira como esta não tivéssemos tido , hoje Castro seria uma freguesia de um qualquer concelho vizinho.
A ela devemos efectivamente o que somos porque só a partir da sua transferencia de Padrões para aqui, é que Castro cresceu e se afirmou.
Por isso, a nossa memória colectiva está ,ou devia estar impregnada da gratidão e da consciência do mérito que teve para o desenvolvimento de uma terra então tão pequena, mais pequena do que aquelas que hoje são suas freguesias.
Por isso a feira, é um património desta vila e das suas gentes. E porque o é, estranhamos não haver cuidados bastantes com vista à sua salvaguarda.
A feira tem-se feito por si, pelos outros, mas nós próprios temos urgentemente de começar a olha-la com a atenção que merece. Talvez precise de ser estudada para que se reorganize , talvez precise de ser mais promovida para que não perca a fama.
Não podemos é continuar a ser agentes passivos ,meros acolhedores daqueles que de fora vêm fazer a nossa feira.
E em cada ano, maiores são as queixas dos feirantes, mais justificadas são as críticas daqueles que nela passeiam.
A rotunda do largo da dita feira, há muito que espera um monumento ,um símbolo, uma  qualquer arte que seja testemunho do reconhecimento do poder e das gentes desta vila para com a maior feira do sul.
Parece-nos que esta terra está a perder brio, esta a deixar esvair o encanto que pela feira tinha. Oxalá que os hiper que nos cercam nos nos roubem a vibração que todos anos acontecia por esta ocasião. Oxalá que a modernidade que impera não relegue este acontecimento tão marcante da nossa identidade para o saco das coisas do passado onde quase já não cabe o presente e muito menos o futuro.
A feira e o resto, todo o Património que é nosso, está nas nossas mãos defendê-lo ou deixar que as mutações perversas das modas de ocasião provoquem a sua destruição