segunda-feira, 20 de maio de 2013

PAX-JULIA

TENHO DA PAX-JÚLIA UMA IDEIA MÍTICA de enorme grandeza, que guardo desde moço quando ouvia os homens cantar a moda : " Beja é mãe do distrito, rainha dos produtores" e imagináva-a imponente e coroada, com o Baixo Alentejo ao colo, dando-lh...e a mamada.
Mas depois, mais tarde, foi em Beja que tive os primeiros apertos da vida. Os exames de admissão, do segundo ano e do quinto ano, feitos no liceu, espremido pelo medo e pela insegurança de poder não honrar o palmarés dos resultados habitualmente alcançados pelo Externato Dr. António Francisco Colaço . Era o nome da nossa terra que íamos defender ao Diogo de Gouveia, uma espécie de jogo de bola, depois de uma viagem horrivel de camioneta, mortificados pelas curvas depois de Aljustrel, enjoados pelos vapores da carreira e dos cheiros das comidas com que as mães atafulhavam a moçada logo de manhã cedo.
Cresci e fiz-me longe da "mãe do distrito" e dela guardava só ruins lembranças. O grande edificio amarelo, as doenças e mortes no hospital, os exames médicos para os males maiores e as montras bonitas onde me ficavam os olhos, arrecadando a angústia de não ser comprador.
Agora, gosto de ir a Beja sem ser em governo.
Ando por lá ao acaso, vendo os pormenores, observando os nativos, imaginando o que seria se tivesse sido.
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